De 21.08.2015

“Um dia todas elas apareceram de surpresa em sua casa. Era um dia bem comum, daqueles em que você acorda e imagina que nada e tudo pode acontecer. A campainha tocou e quando ela olhou pelo interfone não viu nada além do sol do final do dia brilhando na câmera e uma voz vagamente familiar dizendo que se ela poderia conversar. Quando a porta foi aberta e todas as outras entraram ela simplesmente não conseguia entender o que estava acontecendo. E elas nem mesmo entraram de forma ordenada, como um replay de toda uma vida de amores passados, ao invés disso se acomodaram misturadas na sala e disseram que estavam ali apenas para revê-la. Como se elas tivessem saído de dentro dela em algum momento nestes últimos longos anos. Aliás, pensando de forma simplista, fazia todo sentido que elas tenham surgido todas juntas e aparentando cada uma a exata idade e aparência de quando partiram. Talvez elas realmente tenham encontrado um meio de se solidificar do lado de fora e queiram agora entender porque ela gostava tanto de permanecer no passado quando havia ainda tantas para encontrar pelo mundo. Mas ali, naquela sala, olhando pra todas as mulheres que havia amado, ela percebia o que elas queriam, ela percebia que talvez fosse o momento de trazer mais alguém para seu sofá. E a campainha tocou mais uma vez.”

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