Eu não sabia, mas ali começava o pior ano da minha vida.

Era outubro de 2015, o dia eu não sei. Minha vida amorosa esse ano foi intensa e neste momento eu estava numa amizade colorida, me negando a aceitar que estava apaixonada e havia descoberto que a outra parte da história estava apaixonada por uma terceira pessoa. Tive uma crise ridícula de ciúmes e em seguida fui encontrar amigos pra distrair a cabeça. Lembro de ter tentado todas as roupas, ter experimentado cada peça do armário e me sentir péssima em todas. O dia não estava dos melhores, mas eu precisava ir ao encontro. Fui e me distraí, vi amigos, ri, comi e bebi coisas gostosas e pensei ter saído do furacão, mas, ao chegar em minha casa, percebi que que o sofrimento só estava começando. Comecei a me comparar com aqueles amigos, a perceber como a vida deles era melhor que a minha. Eles tinham carro, casa, família, filhos, amor, projetos, histórias, corpos bonitos e eu, bom, eu não tinha nada a contar. Eu estava em desvantagem. Na minha cabeça eu era uma fracassada que estava perdendo naquele jogo.

Lembro de chorar tanto nesse dia a ponto de molhar o travesseiro. Lembro de mandar um áudio desesperado e falando um monte pro tal amigo colorido. Mal dormi.

Que vergonha!

Eu não sabia, mas ali começava o pior ano da minha vida.