“Fora Dilma e Fora PT”

em Mogi

Texto e foto: Nicholas Modesto

Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi

Era mais um domingo daqueles: ensolarado e silencioso. E o silêncio era raramente interrompido pelos roncos dos poucos carros que circulavam pela cidade. Pouco a pouco, enquanto eu e meu parceiro, Alex Tavares, nos aproximávamos da Praça do Relógio, em Mogi das Cruzes, o silêncio era tomado pelo soar de apitos, cornetas, panelas e vozes.

Quando já era possível enxergar a origem dos sons, víamos um grupo relativamente grande de pessoas vestidas de verde e amarelo e, no palco da praça, algumas delas falavam em maior volume para dar direção a todo o grupo. Se iniciava ali, a terceira manifestação contrária a presidente Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores (PT).

Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi
Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi

“A importância de estar aqui é marcar a nossa presença como cidadãos e ocupar o espaço que é ocupado pelos bandidos ligados aos sindicatos do Brasil, eles ocuparam o nosso espaço porque nós permitimos. Nós não temos que ir as ruas, não somos bois pra ficar desfilar, nós somos humanos e temos que pensar, temos que ficar na concentração, debater e discutir”, disse o professor universitário, Francisco de Figueiredo, um dos que estavam em pé discursando no palco .

O sol ia aumentando e o grupo também. Mais pessoas chegavam. Eram pessoas de todas as idades. Depois de, em uma só voz, cantarem o hino nacional, mais pessoas se dispuseram a subir no púlpito e deixaram um pouco do que pensam para os presentes no local.

O comerciante Gerson Chagas disse que luta contra a corrupção e não contra partidos. “Nós não estamos nos reunindo aqui para lutar contra ou a favor de algum partido, mas sim para ir contra a corrupção, para orgulhos dos nossos filhos e nossos netos. Não somos golpistas, não somos fascistas, só estamos indignados com a situação do nosso país” apontou Gerson.

Gerson Chagas e Francisco de Figueiredo (Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi

Enquanto eu continuava buscando imagens para registrar o acontecimento, de repente surgiu um rapaz, aparentemente alcoolizado, indagando quem estava falando. Destaque para o traje do rapaz: a cor vermelha. Estava representado ali, na mente dos manifestantes, uma representação do PT.

Prontamente, eu e Alex fizemos imagens desse contraste: um ponto vermelho dentro de um mar verde e amarelo. No mesmo minuto, Alex foi abordado por um dos manifestantes: “Vocês são interessantes: tem 200 pessoas se manifestando aqui e vocês dão atenção pra este bêbado. Vocês tem que mostrar o que estamos fazendo e não oque este cara está fazendo. Essa mídia é sempre assim mesmo” reclamou cidadão. Tentamos explicar que estávamos lá para registrar o acontecimento; tudo e todos mereciam ser registrados. Mas o homem não estava aberto a explicações ou qualquer diálogo.

Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi

O médico Jaime Castilho também quis ser ouvido e, ao som de mais uma vez o hino nacional, disse que as Forças Armadas deviam ter acabado com os petistas em 1964. “Fora Dilma, fora Lula, fora Renan! Fora toda essa “cambada” de safados que estão acabando com o nosso país. São todos comunistas e deveriam estar no fundo da terra. Vão para Cuba, para Venezuela, para a Coréia do Norte. Deixem o nosso país em paz!” desabafou .

De amarelo, Jaime Castilho (Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi)

Logo após o término do hino, os manifestantes pediram aplausos a Polícia Militar, que também estava presente na concentração.

Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi
Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi

Uma simples palavra gerou um interessante e diferente desconforto nos manifestantes. Em determinando momento, um dos cidadãos se referiu a outro como “companheiro” (termo muito usado por Lula para se referir a seus eleitores e colegas de partido). Pronto. Foi o estopim para um grande incomôdo ali. Todos se diziam cidadãos e não “companheiros”.

Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi
Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi
Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi

Pouco depois das 10 da manhã, a manifestação começou a andar e passou por vários pontos na cidade.

Cada parada contou com uma pausa para cantar o hino nacional, mas o grupo respeitou lugares como a Igreja Matriz e um hospital (nesses pontos a manifestação seguiu em silêncio)

Tudo terminou na conhecida Praça do Buxixo”.

Lá os participantes finalizaram a passeata e já discutiram a possibilidade de um novo evento para continuar lutando por suas causas.

Foto: Nicholas Modesto/EverydayMogi
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.