A mim o fizeste!

Irmã Dulce

Para os que vacilam na fé, a Eucaristia parece ser um nó górdio. Crer que o pãozinho, no qual os sentidos não vêem nada além de um pãozinho, é o Corpo de Cristo, é um desafio… Para os que estão firmes (cuidem para não cair e agradeçam ao Senhor este dom!), contemplar o Cristo Eucarístico é uma graça, um consolo e um descanso…

Para os que têm fé e querem continuar atravessando o deserto, outro desafio se impõe… Se é fácil crer que o pão consagrado é o Corpo de Cristo, porque é tão difícil crer, quando Jesus fala no evangelho de hoje (Mt 25,31–46) que, quando matamos a fome do faminto, a sede do sedento, acolhemos o estrangeiro, vestimos o nu e visitamos o doente é a “Mim que o fizeste”?

É o Padre Cantalamessa que vem em nosso auxílio:

Aquele que pronunciou sobre o pão as palavras: “Este é o meu corpo”, disse essas mesmas palavras também dos pobres. Disse-as quando, falando daquilo que se fizer, ou não se fizer, pelo faminto, o sedento, o prisioneiro, o desnudo e o desterrado, declarou solenemente: “O fizestes a mim” e “Não o fizestes a mim”. De fato isso equivale a dizer: “Aquela certa pessoa esfarrapada, necessitada de um pouco de pão, aquele ancião que morria entorpecido de frio nas calçadas, era eu!”. (Terceira pregação de Advento do Pe. Raniero Cantalamessa ao Papa e à Cúria Romana, 20 de dezembro de 2013)

Por que é fácil crer quando o sacerdote in persona Christi diz na missa “Isto é o meu corpo!”, mas é tão difícil crer quando encontramos o pedinte na rua ou um necessitado de atenção, sobre os quais o Cristo também diz (não sacramentalmente, é claro): “Sou eu!” ?

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São Paulo nos ensinará que a fé age pela caridade (Gl 5,6). São Tiago dirá que a fé sem obras é morta (Tg 2,26). São João escreverá este luminoso conselho:

Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade. (I Jo 3,18)

E a Igreja nos falará das Obras de Misericórdia:

As obras de misericórdia são as ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem teto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos. Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus.
 Catecismo da Igreja Católica, 2447.

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Aproveitamos para elencar as obras de misericórdia:

Obras de misericórdia corporais:
 1) Dar de comer a que tem fome
 2) Dar de beber a quem tem sede
 3) Dar pousada aos peregrinos
 4) Vestir os nus
 5) Visitar os enfermos
 6) Visitar os presos
 7) Enterrar os mortos

Obras de misericórdia espirituais:
 1)Ensinar os ignorantes
 2) Dar bom conselho
 3) Corrigir os que erram
 4) Perdoar as injúrias
 5) Consolar os tristes
 6) Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo
 7) Rezar a Deus por vivos e defuntos

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Jamais devemos colocar o pobre no lugar do Cristo como fez a Teologia da Libertação, segundo um de seus principais teólogos, Clodovis Boff (irmão de Leonardo Boff), mas devemos amar o pobre por causa de Cristo e por amor a Deus. Toda obra, todo apostolado que não é exercido por amor a Deus está no lugar errado.

Diante de nós temos o exemplo de inúmeros santos, que abriram a picada para que nós possamos ir atrás, como eles foram atrás de Jesus: São Lourenço, São Martinho de Tours, São Camilo de Lélis, Dom Bosco, São Francisco de Assis, Madre Teresa, Irmã Dulce, Madre Paulina, Padre Pio…

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Quando o padre distribui a comunhão e nos diz, “O Corpo de Cristo!”, respondemos “Amém!”. Digamos também aos nossos irmãos, aos que estendem ou não as mãos pedindo ajuda, aos que nos dão sinais de necessidade, aos que estão conosco todos os dias, ao nosso próximo:

“Amém!”

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