Semana Santa, Terça-feira

Os dias que precedem os eventos pascais são marcados pela tensão. Na liturgia de hoje, vemos o Cristo “profundamente comovido” ( “Um Jesus tão humano assim,só podia ser Deus”, São Leão Magno) diante da traição de Judas .

A Irmã Emanuel Maillard costumava dizer: “Não, Judas, não é tarde demais!”. O Iscariotes, o “filho da perdição”, era particularmente amado por Jesus. Jesus deu inúmeros sinais de sua escolha. Ele era o tesoureiro dos apóstolos (cargo de alta confiança) e, está entre aqueles aos quais Jesus lava os pés e, no evangelho de hoje (Jo 13,21–33.36–38), Jesus lhe dá o pão embebido no molho (que para os judeus era sinal de predileção, como o primeiro pedaço de bolo dado ao melhor amigo). Não há dúvida de que Judas teve um tratamento diferenciado da parte de Cristo. A misericórdia de Deus cercava-o por todos os lados! Por isso a Irmã Emanuel grita para nós, os Judas do tempo de hoje: “Não, não é tarde demais! Olhe para os sinais de predileção, olhe para a Misericórdia Divina que nos envolve!”

No entanto, Judas fez o que fez. Deus nos dá todas as chances, mas a escolha final é sempre nossa. Não foi à toa que, no momento em que Judas engole o pão, Satanás “entra nele”. O pão, sinal sacramental do Corpo de Cristo, o pão da misericórdia. Quando a graça é recusada, oferecemos espaço a Satanás.

Jesus diz à Judas:

“O que tens a fazer, executa-o depressa”.

Os apóstolos nada entenderam. “Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente.” O evangelista faz questão de dizer: “Era noite.” A noite das trevas, noite da traição, noite da perdição. Jesus estava profundamente consciente de sua missão, sabia que aquele passo era necessário para que se cumprissem as Escrituras:

“Aquele que come o pão comigo levantou contra mim o seu calcanhar (Sl 40,10).”

Jesus sabe que chegara a hora de ser glorificado. Pedro, outro que iria negar o Cristo, quer saber para onde Jesus vai. Jesus responde que ele só o irá seguir mais tarde, já profetizando seu futuro martírio. Mas Pedro insiste:

“Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu darei a minha vida por ti!”

A resposta de Jesus testemunha, mais uma vez, a profunda e dolorosa (traição e negação da parte de seus melhores amigos) consciência da sua missão salvífica:

“Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes”.

***

A partir de hoje, poderemos observar, nas narrativas evangélicas dos próximos dias, a singularidade do destino de Judas e de Pedro. O encontro com Jesus Cristo é decisivo, tanto para quem se perde, quanto para quem se salva. A nossa vida não pode parar na traição e na negação. Somos marcados pela misericórdia. Não é tarde demais.

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