A espera de uma visita amiga.

Este texto faz parte de um desafio que me propus, qual seja, fazer 30 textos em trita dias seguidos, abordando cada dia um tema.

DIA 3/ TEXTO 3— Tema: Velhice


Os olhos estavam cansados. Tinham visto o bastante nos últimos 80 anos, mas ainda continuava observando o seu redor, embora conhecesse cada detalhe daquele pequeno quarto: a televisão de vinte e uma polegadas, a cômoda de quatro gavetas e uma flâmula do santos colada a um poster velho do time bicampeão da libertadores de 1962-1963. Nada daquilo era novidade. Isso já fazia muito tempo.

Estava se sentido muito fraco nas últimas semanas. Já não tinha forças para se levantar da cama. Sua energia estava se esgotando. Sua luz se apagava aos poucos.

Ao longe ouvia vozes: de um homem, de uma criança, de duas mulheres conversando. Por um instante pensou que eram vozes familiares, mas logo percebeu que não as conhecia. “Não seja tolo”, pensou consigo mesmo. Já nem lembrava mais quando tinha sido a última visita. Embora ainda estivesse lúcido, por um instante desejou que não estivesse, assim seria menos doloroso.

Lá fora o sol estava se pondo, a tarde estava terminando e em pouco tempo a noite viria, gélida e mansa. Mais um dia teria se passado, apesar de todos os dias parecerem iguais naquele lugar. O tempo estava congelado há anos.

Quando o último raio de sol se apagou no horizonte e a escuridão da noite assumiu por completo o seu papel, uma brisa soprou suave e serena pela fresta da janela, trazendo consigo uma figura esbelta, pálida e misteriosa, que estendeu firmemente sua mão direita, porém de forma delicada, e disse:

— Nestor, já não temos mais tempo. Venha, meu amigo. Precisamos partir.


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