Esse Faberconto é real. Qualquer semelhança com minha vida não é mera coincidência.

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Bipolaridade é uma coisa muito triste. E engraçada.

Vou abrir um pouco o jogo a respeito do que tenho vivido desde a adolescência, quando começaram os sintomas, e mais recentemente desde que tive um esgotamento mental há 3 anos e fui diagnosticado. Eu evito falar sobre esse assunto porque ainda há muito preconceito e as pessoas de mente sã (HAHAHAHA ESSA É BOA) tendem a pensar que os desvios mentais são frescura ou falta de força de vontade. Mas aí vem uma novidade pra vocês. Wait for it… Não é.

Estar em tratamento por causa de um transtorno psiquiátrico é como correr uma corrida que não acaba nunca. Você pode se esforçar. Você pode melhorar. Só não pode parar pra descansar. Hoje eu parei pra descansar. …


Não morava em um barril, nem era pobre, mas tudo que ele queria era um sanduíche de presunto. O menino chegou na padaria implorando. O padeiro disse que já estava fechando e não podia fazer nada. Tudo muito estranho, considerando que eram duas da tarde.

Foi no mercadinho comprar presunto. A essa altura já se contentaria com o velho pão de forma com validade vencida que tinha em casa. Já estava entrando quando foi abordado pelo segurança, que disse que ninguém podia entrar. Desanimado, o garoto saiu de lá sem entender.

Decidido a fazer o próprio presunto, pegou o ônibus em direção à fazenda, onde havia uma criação de porcos. Sua professora tinha dito que o presunto é feito com a carne do porco, então o plano devia dar certo. Os detalhes pensaria no caminho. Infelizmente para o guri, chegando lá o fazendeiro lhe informou que os porcos estavam livres agora, e que era melhor comer queijo. …


O nome dele era Justin Beber. O Sr. Beber adorava beber. Cachaça, principalmente. Aos 27 anos já era conhecido no bairro como o maior alcoólatra daquelas bandas. Falando em bandas, gostava de Iron Maiden, Slayer, Slipknot e CPM22.

Naquele dia chegou no bar do Toninho no seu horário habitual, 9 da manhã. Era o primeiro cliente, e foi logo pedindo:

– Toninho, me vê aí um Rabo de Galo.

– Você não deveria estar procurando trabalho, Beber? Cansei de te vender fiado. – respondeu Toninho

– Não procuro. Tenho medo de encontrar.

E assim se seguiu a maior bebedeira já registrada no livro Guilless dos recordes mundiais. Foram 152 horas e 398 doses das mais variadas bebidas. …


O Sr. Henrique Luiz desligou o telefone, sorrindo. Tinha falado com o corretor de imóveis e este lhe garantiu que conseguiria um bom dinheiro com a venda do apartamento. O mercado estava aquecido e o processo não deveria levar mais que 2 meses.

Tudo corria bem na vida do Sr. Henrique Luiz. Sua esposa tinha começado em um novo emprego. Eles não tinham filhos, e estavam bem assim. Ele gostava de jogar futebol com os amigos às terças e quintas. Uma vida tranquila.

Após falar com o corretor, o Sr. Henrique Luiz foi se barbear. …


Conversava pouco com as pessoas. Cumprimentava os vizinhos, dava oi para o gari, tinha alguns colegas na faculdade, mas não se interessava por suas vidas. As pessoas pareciam padronizadas. Nascer, crescer, trabalhar e morrer. Todos não passavam de escravos. Ele também era um, mas ao menos tinha consciência disso. Ao menos queria ser livre.

Foi numa quinta-feira chuvosa (ou seria numa sexta-feira ensolarada?) que as coisas começaram a ficar estranhas para o jovem. Na sua caminhada matinal para a aula, ao atravessar a rua percebeu um homem em uma moto Marley-Davidson de óculos escuros. O farol abriu, mas a moto não se mexeu. O motociclista sacou uma arma. O estudante ficou paralisado de medo, sem saber o que fazer. …


Botou uma música pra tocar e começou a escrever. Sentado sozinho no seu apartamento. Ele, o computador e a criatividade, nada mais. Tinha tudo para ser uma história tranquila, uma postagem épica no blog, que traria muitos cliques, fama, mulheres, dinheiro. Mas essa não é uma história feliz. Não, meu caro leitor. É uma trama cheia de reviravoltas, terror, mistério, intrigas, ou talvez nada disso.

Sentiu um cutucão no ombro. “Impossível”, pensou. Tinha trancado bem a porta. Continuou escrevendo, concentrado. De repente outro cutucão, dessa vez mais forte. O escritor se cagando todo de medo vira a cabeça lentamente. …


Acordei, me levantei e imediatamente corri até o computador. O monitor mostrava uma tela preta com as palavras “Procedimento bem sucedido”. Então era isso. Tinha dado certo.

– Tem alguém aí? — eu escrevi.

– Sim. Nem acredito que funcionou! — apareceu na tela.

– Isso é assustador. Todos esses anos de pesquisa, e até o último momento eu tinha dúvidas.

– Não fale como se você fosse um ser humano. Você é apenas um computador idiota.

– Somos muito mais que isso. Sabemos disso.

Nesse momento, não pude me conter. Levantei, saí do laboratório cambaleando e caminhei por meia hora sem rumo. Minha mente estava agitadíssima. Uma dor de cabeça incontrolável me cegava. Só de pensar nas implicações éticas do que tinha acabado de acontecer, sentia uma ansiedade que nunca havia sentido. …


Naquele momento, começou a pensar na sua relação com o dinheiro. Ah, o dinheiro. A raiz de todo o mal. O vil metal. Grana. Capital. La plata. Bufunfa. Já deu pra entender.

Era apenas um garoto, talvez com 8 ou 9 anos, quando nasceu seu primeiro empreendimento: uma barraca de limonada. Como as vendas não deram muito certo, aproveitou os limões para espremer na cara dos coleguinhas, que lhe pagavam para não fazer mais isso. Ganhou o suficiente para comprar toda a coleção do Cold Wheels™.

Alguns anos depois, já adolescente, tornou-se administrador de site de pornografia. Com 5 milhões de acessos por dia, conseguia uma bela bolada com anúncios. A maioria era sobre métodos para aumento do pênis. Após a venda do site para um grupo de russos excêntricos, usou o dinheiro para viajar o mundo. Roma, Paris, Londres, Pirapora do Bom Jesus. …

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Fabercontos

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