Uma águia sem asas pra voar

Uma coisa é ser a vigésima economia do mundo, outra é estar no top dez; outra, bem diferente, é ser hóspede de informações sobre os maiores acontecimentos mundiais, como os Estados Unidos, que detêm infinitos dados de milhões de usuários da internet. Uma coisa é ser anônimo, negro, com 1,75 de altura e ser amante do samba; outra é ser cidadão de uma economia que colide com os interesses dos outros países. O Brasil não têm expressão e escancara sua fragilidade, é investigado, deturpado e espionado a todo momento.

Não é difícil observar avareza ao se conversar com ex-trabalhadores da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência). Lembro que li uma nota endereçada à imprensa, assinada pelo diretor da ABIN, na qual ele dizia que, em 2009, o orçamento da agência secreta brasileira seria pífio, de R$ 340 milhões, dos quais apenas R$ 40 milhões seriam direcionados à informação. É uma verba muito tímida. O salário de um agente da ABIN varia entre R$ 5.200 até 14.600, e a quantidade de vagas variam entre 200 e 400. Imagine-se na pele de um policial, ou de alguém que pretende defender o estado/civil, que presta concursos; este descobre que há cada vez mais sujeira nestes ambientes … a melancolia e insegurança, o receio de ser passado para trás …

Conheço um “agente” de campo que está a serviço em um estado brasileiro: ex-PM, com cara “redonda de bolacha”, bem branco, com aproximadamente um braço que estoura camisetas, quase sempre apertadas (quase uma babylook), uma cicatriz marrom na bochecha direita em forma de triângulo, ganha graças a uma luta no Recife, onde nascera e brigara muito no Centro Interescolar Santos Dumont, escola pública conhecida em Boa Viagem; atualmente, com 45 anos, ganha uma grana relativamente boa para ficar seguindo alguns turistas estrangeiros que são determinados pela Superintendência; trabalha em alguns relatórios e não sabe os desdobramentos de sua ação, fica mais em stand-by do que em campo. Sua cabeça vive dilemas e traumas de quem sonhava em defender amigos, pais dos seus amigos, o morador de rua simpático, enfim, a sociedade. Reflete em um domingo de janeiro de 2015 em prestar um concurso para analista … R$10.000,00 para não fazer nada é legal.

Seu colega perguntado sobre sua rotina diz: “na águia (ABIN) não faço nada, é o emprego que pedi a Deus, bem mais tranquilo que o E.B (Exército Brasileiro). Só que a minha mulher vive reclamando que eu viajo direto, faz várias ligações de madrugada e sai correndo, grita comigo que o EB era melhor…”

Já o vi dirigindo um taxi e até como mendigo, algo comum entre agentes, já que tentam se passar como mortos perante os olhos alheios.

“Sei de pessoas que pagavam uma taxa de segurança mensal de RS 50,00 para um PM da reserva que colocava ladrões conhecidos para fazer a segurança da ruas; não roubavam de quem tinha o adesivo com um desenho de um dragão na porta.”

“O que mais me revolta é acompanhar bandidos promovendo a segurança, que muitas vezes se aliam a políticos oferecendo grampos em troca de dinheiro. Essa é a agência brasileira de inteligência. Esta mais para agência de negligência brasileira”.

Reprodução: Folha de São Paulo/UOL

Alguns dias depois, é encontrado morto, abandonado por “colegas”, em meio a uma Operação que prestava serviços a um político famoso do Brasil e ao seu partido, contra a Policia Federal brasileira. O corpo fora encontrado na entrada do Centro Comercial Grandes Galerias, mais conhecida como Galeria do Rock. O motivo ?

Desistência.