E eu comecei a dar aulas

Fernanda Almeida
Aug 22, 2017 · 3 min read

Já falei que fui uma criança de hábitos estranhos que gostava de brincar de trabalhar. Algo que eu gostava muito de brincar era de escolinha. Eu dava aulas com meus livros de anos anteriores da escola e gritava (muito) com meus alunos imaginários. Uma vez minha mãe até perguntou se as minhas professoras davam aula daquele jeito, e pois é, eu estava apenas espelhando…

As salas de aula sempre me sorriram e uma das minhas 4 FUVESTs foi para História, não lembro se a número 2 ou 3… Não insisti no caso pelo mesmo motivo que eu imagino que afaste muitas pessoas das lousas, a remuneração…

Depois que terminei minha especialização flertei com a ideia das salas de aula do ensino superior, acreditando que pagaria mais do que aulas em ciclos mais básicos e também se não pagasse seria uma complementação do “trabalho de verdade” que eu poderia continuar mantendo durante o dia. Por motivos diversos este flerte não evoluiu.

Ano passado, enquanto estava de férias do trabalho, enfiei na cabeça que eu ia dar aulas de inglês, seria possível aos finais de semana e à noite em dias úteis, mantendo o “trabalho de verdade” (professores me perdoem, mas é a imagem de fora se tem) para pagar as contas. Por motivos diversos não rolou e hoje vejo que seria inviável em termos de programação de agenda

Aliás o inglês é algo bem interessante na minha vida, e merece um a parte aqui: Fiz inglês a minha vida escolar inteira, desde a 1ª série. Tive professores bons e ruins, mas sempre odiei. Durante a faculdade me deparei com a necessidade de inglês avançado ou fluente para quase todas as vagas de estágio. Eu não sentia que podia classificar o meu assim e fui me matricular em uma escola de inglês. Saí do dia da matricula chorando lágrimas de sangue e já deixei todos os cheques do semestre lá. Eu simplesmente não queria pensar que eu ia acordar às 7h da manhã em um sábado para estudar inglês, e pagar por isso ainda por cima. Eu não era uma pessoa matinal naquela época, longe disso na verdade.

Fiz o curso até o final… Anos… Não arrumei nenhum estágio na área, (motivo inicial para o curso), acabei indo trabalhar como recepcionista bilíngue por 2 anos. Embora confesse que não me sentia assim tão bilíngue.

Salto no tempo para outro trabalho, visita à unidade dos EUA, reuniões e me virar sozinha em inglês na cidade. Como me senti? Pânico total. Me sentia a princesa Atta, tanto que foi Vida de Inseto quem me acompanhou no avião.

Fui e deu tudo certo, no fim da certo.

Novo salto no tempo, uns 2 anos mais ou menos, ainda na mesma empresa. Chega um americano que não fala uma palavra de português e alguém precisa levar ele para almoçar. Nunca vi um almoço gerar tanta polêmica. Ninguém queria levar o menino para almoçar, nem lembro que fim levou o caso.

Fato era que eu teria que lidar com ele no dia a dia depois e nestes dois anos, desde este almoço, posso dizer que não teve aula que me fizesse tão bem quanto a convivência com ele. Conversar com ele trouxe a segurança que faltava para eu confiar no taco do meu inglês e hoje batemos papo, não apenas o que envolve o trabalho do dia a dia. Como a princesa Atta que só vai confiar em si no fim do desenho, novamente, no fim dá certo.

Longa história toda contadinha, uns 2 meses atrás minha prima me procurou: estava estagiando em uma multinacional e não conseguia se virar com o inglês (Ela passou sem o inglês nos dias de hoje e eu, com o inglês, não passei, há uns 8 ou 9 anos atrás… Enfim, caminhos da vida, ela não precisa me mandar um beijinho no ombro para o recalque passar longe, eu mirava em uma área diferente da dela).

E agora me descobri professora de inglês, aos domingos à noite. Preparando ppts com as aulas, lições de casa elaborar e corrigir.

E não, eu não grito com minhas alunas de verdade como fazia com as imaginárias na infância.

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