Gente feliz não enche o saco

Fernanda Almeida
Sep 2, 2018 · 2 min read

Este texto é sobre uma história verídica, e esta história aconteceu: comigo…

Gosto de dizer que eu sou uma ótima vizinha de cima. Eu não ando de salto alto pela casa (não importa o horário que seja). Já deixei de arrastar uma poltrona de volta para o lugar porque era quase uma hora da manhã e eu não queria incomodar o hóspede do andar de baixo (e não era só porque ele era da minha equipe)…

Posso dizer também que por eu morar a minha vida inteira em apartamento, eu seja bem tolerante com barulhos vindos do andar de cima.

Meu único pecado é cantar. Eu canto o dia inteiro, quando estou em casa.

Tive péssimas vizinhas de cima esta semana. Acho que elas não levaram chinelo na mala e ficavam o tempo inteiro andando de salto alto pelo quarto. Pelo menos o fato de serem duas explica a enorme quantidade de toc toc que eu ouvi a semana inteira.

É neste momento que você me pergunta como eu sei que eram elas?

Pois é…

O barulho esteve lá a semana inteira. Ele me incomodou? Sim, bastante. Eu reclamei? Pedi para trocar de quarto? Comprei um protetor auricular?

Não…

Tá bom, não até a noite de quinta feira.

Eu estava chateada. Chateada por um motivo que nada tinha a ver com as moças que nem conheço e estavam no quarto de cima.

Quando eu fui deitar estava no toc toc…

… às 3h30 da manhã eu acordei com toc toc, conversa, risada.

Eu respirei, contei até dez. Olhei para o teto com pé direito alto, amaldiçoei o fato de não ter uma vassoura. Apaguei a luz de novo. Surtei. Acendi a luz e liguei para a recepção.

— Tem duas moças no quarto de cima, elas devem estar se arrumando para dormir, acabaram de chegar.

— Ah entendi… É só gente bêbada enchendo o saco. Vou dar uns 15 minutos e qualquer coisa eu ligo de novo.

O barulho não parou, mas eu não liguei. Estava arrependida da frase na hora em que terminei de dizer, pois no fundo eu só estava triste e por isso aquele barulho que esteve lá a semana inteira, naquele momento virou insuportável.

    Fernanda Almeida

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    Escrevo porque às vezes nem tudo cabe dentro de mim e precisa transbordar.

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