Minhas incríveis habilidades manuais

Qualquer pessoa que me conhece sabe que eu sou boa em muitas coisas, incrível em algumas, mas que se tem uma coisa a qual eu agradeço todos os dias, é que o Jardim da Infância não reprovava.

Caso haja alguma dimensão paralela em que existam provas e que o uso da tesoura, a habilidade de traçar uma linha reta à mão livre ou coisas assim nos impeçam de chegar ao primário, eu estaria até hoje entregue aos cuidados da tia Silvia.

Eu tentei outras coisas. Artesanato por exemplo.

Isso não combina comigo por outros fatores, mas eu achava bonito e em um ano, resolvi que queria dar um cachecol no dia dos namorados. Não, eu não podia comprar um cachecol. Por que percorrer o caminho mais fácil, se eu podia escolher o mais difícil… Eu enfiei na minha cabeça que eu ia fazer um! Logo eu!

Pedi para a minha vó, a pessoa mais paciente do mundo, me ensinar a fazer. Fui para a casa dela depois do trabalho. Foram horas de tentativas e fracasso. Até que ela, repito, a pessoa mais paciente do mundo, pegou agulhas, lã e desespero do meu colo e declarou:

-Você é igual a sua tia, não sabe nem segurar uma agulha.

O cachecol foi feito, por ela, e ficou lindo.

Eu sei segurar uma agulha, mas não deste tipo grande que ela segurava tão bem.

Eu sei pregar botão, sou capaz de bordar ponto cruz também, que é como pregar botão, o princípio é o mesmo, só não tem botão.

Aliás falando em ponto cruz: eu fiz um presépio enorme uma vez. Quando ele ficou pronto, minha mãe olhou para ele e disse:

-Nossa, ficou tão lindo, agora você vai ter que fazer outro, quando você casar não vou deixar você levar este.

Nem respondi, mas mal sabe ela o ódio que eu tenho daquele presépio, nem que ela me obrigasse eu teria levado ele para a minha casa, quanto mais fazer outro. Aquilo levou anos, literalmente, para ficar pronto, eu não aguentava mais olhar para ele.

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