Não reciclável

Fernanda Almeida
Sep 1, 2018 · 3 min read

Ex bom é ex morto…” Recomendo fortemente que você veja este vídeo antes de começar a leitura do texto. Primeiramente, porque vai explicar porque não é bom ter um ex morto, quando você pode desejar outras coisas e também porque a música é muito engraçada, então vale as risadas.

Troquei de trabalho, como já discutimos em alguns textos ultimamente. A palavra “ex” tem aparecido com bastante frequência e em contextos bem diferentes.

O uso mais comum é para uma pessoa que mudou de software e várias vezes nos pega com perguntas que relacionam o sistema novo que estamos implantando com o que ela implantava antes e que tem recursos diferentes e ela fica em um momento “ai que saudade do meu ex”.

Ainda aparece também no contexto de pessoas sentindo falta de projetos anteriores. Ao que os outros respondem: “desapega do ex ou da ex” (afinal não dá para usar sempre no masculino, né gente?)

E no jantar de ontem, uma das moças (solteira) pegou a carteira para pagar a conta. O rapaz ao lado dela viu uma foto e soltou:

— Foto do ex? Dá aqui que eu vou jogar fora.

Ela afastou a carteira dele respondendo:

— Deixa aqui, eu vou tirar, ele está tão bonitinho.

Eu tenho os meus ex e meus apegos e, sinceramente, até bem pouco tempo, não tinha reparado que ainda tinho a foto do meu ex na carteira, e já tem quase um ano. No dia que reparei isso, pensei: preciso tirar aquela foto de lá.

As atividades para mim tem três opções:

  1. Faço na hora
  2. Coloco um lembrete na minha agenda (inclusive parei a revisão do texto para colocar um lembrete de uma atividade que vem passando pela minha cabeça já há quase um mês…)
  3. Esqueço total e completamente (às vezes até ser tarde demais).

Os dias foram passando e eu, obviamente, esqueci. Até este jantar. Neste momento decidi que esta foto não voltaria de Curitiba. Resolvi que quando fosse arrumar minha mala no dia seguinte, jogaria no lixo do hotel.

Eu, que guardo tudo, ia jogar no lixo. É estranho até para mim.

Ando em uma vibe de que se eu desapegar de tudo o que é velho na minha vida, vou deixar espaço para o novo entrar e fazer morada. Não sei se funciona, mas é o caminho que escolhi seguir por enquanto.

Lembra da lista de como meu cérebro funciona?

Então… Opção 3 de novo.

O assunto acabou me voltando à cabeça no táxi, à caminho do aeroporto, já lá pelo meio da tarde.

Resolvi que era o momento de ativar a opção 1. Peguei minha carteira. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que eu não tinha 1, mas 2 fotos na carteira?

Lutei com a foto, que de tantos anos lá, estava meio colada. Tirei as duas e coloquei no meu bolso. Ia ser no lixo do aeroporto, ainda seria simbólico o suficiente…

Estava quase entrando na opção 3 quando uma visão me fez lembrar o porque de eu querer abrir espaço para o novo.

À meia dúzia de passos de mim havia uma lixeira, daqueles com todas as opções de plástico, vidro…

Tá bom, não era assim que ela se parecia, mas vocês entenderam…

Enquanto andava, pensei: “será que foto é plástico ou papel?”

Decidi que ex é não reciclável e escolhi a cinza.

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