O Docinho

Embora o nome me amargasse por um passado recente, o sobrenome adoçava o paladar só de falar.

E falar para você era um problema. Era engraçado ver o seu embaraço, gaguejando ao falar comigo, mas acho que não doía muito, afinal parecia que você tinha sempre uma enormidade de micro-assuntos para resolver comigo quase todas as manhãs.

Um rosto tão lindo e delicado, daqueles que dá vontade de pegar no colo.

No meu aniversário levei duas caixas de bombons, mas o seu foi especial, não era daquela caixa, comprei o meu favorito, só para te dar. O abraço de parabéns, foi o mais perto que nossos corpos, sempre separados pelo balcão, chegaram. Lembro que gostei do seu perfume, não cheguei a identificar qual era, mas combinava com você. Não era chamativo, mas tinha presença, como você.

Eu tinha tanta certeza que um dia você criaria coragem e me convidaria para sair, que comprei um vestido vermelho, toda vez que o olho lembro de você.

Um gentleman sempre muito educado e gentil. E foi com uma gentileza, com um guarda chuva amarelo, em um dia cinza…

… que vi teria que usar meu vestido vermelho para outra ocasião.

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Meus amores, amores dos meus amigos, amores que me contaram, transformados em histórias pelo meu olhar e sempre em primeira pessoa. Como diria Stephen King, quando se trata de passado todo mundo escreve ficção.

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