Perdendo o rumo de casa
Não foi metafórico, foi de verdade.
Estava frio, eu estava cansada e não prestei atenção no que estava fazendo.
Bati o olho no número do ônibus e pensei: “chega, vou neste mesmo e pego outro na marginal, só quero sair daqui.”
Normalmente pelo horário eu não teria feito esta escolha, mas estava muito frio.
Sentei e comecei a ler, até uma estranha curva à esquerda ser feita.
Como assim uma curva à esquerda?
Sim, eu peguei o ônibus errado. Eu errei o caminho para a minha própria casa! Eu moro lá à quase 3 anos e eu errei o caminho de casa!
Um suspiro de resignação, afinal ali (tanto no ônibus como naquela rua) não havia nada que eu pudesse fazer. Sorte era que eu até sabia o caminho que aquele infeliz fazia. Apenas uma letra de diferença e meu caminho todo alterado.
Aceitei, como aceito todos estes pequenos imprevistos da vida. Aceitei como a certeza de não poder passar pelo meu caminho habitual, ou de não poder chegar em casa no horário normal.
E voltei a ler meu livro…
