Há duas semanas, quando a transição Sexy — abeLLha / GoodPeople se concretizava

A gente não tem a menor ideia de onde está indo.

E isso é bom.

Sabe o que é o mais doido dessa história toda de fazer a abeLLha e o GoodPeople? É que a gente não tem a menor ideia de onde está indo! Claro! Estamos no olho do furacão! É aquele papo: quem não está confuso, não está bem informado. Quais suas certezas em meio a toda essa revolução da era da informação? A tudo o que está rolando na sua timeline. Ao fato de você consumir e produzir excessivamente com sua tela mais íntima. Quais?

O que nos resta, em meio a que, lá atrás, imaginaram ser o futuro, é reconhecer que, no final das contas, só sabemos que nada sabemos. E haja virgula pra dizer isso! O que quer dizer: Ninguém entendeu nada! Estamos tateando um escuro tecnológico.

Quem é que sabe de onde sairá a próxima onda disruptiva? É o que Criolo me disse uma vez numa entrevista pra Sexy: “Nas quebrada, tem lan house, pai! Os moleque tão tudo com um celularzinho. E o baguio é louco! A revolução da informação não tá na mão de ninguém!” E aí essa expansão absurda da tecnologia nos leva a ter que refletir sobre situações que eram inimagináveis… há um minuto! O viral. O meme (expressão que, aliás, surgiu em 1976, no livro O Gene Egoísta, de Richard Dawkins).

Os futuristas podem arriscar dizer há quanto tempo estamos do que foi mostrado na série Black Mirror. Mas quanto tempo falta para aquilo que sequer os roteiristas ousaram imaginar? Do que é hoje o imponderável. E amanhã será trivial.

É nesse mar de possibilidades que está a dor e beleza de saltar do desfiladeiro que é esse mundo da tecnologia e do empreendedorismo. Um penhasco que parece ainda mais sedutor pra quem, como eu, andava tão imerso no analógico mundo das revistas.

E por isso que a minha impressão, duas semanas após fazer a transição completa para este universo (após ficar sete anos em um trabalho fixo na Revista Sexy) vem daquele velho papo de saber que nada sabemos. Ninguém. No dia-a-dia nos escoramos em métricas. As kpis, tão proclamadas pelos quatro cantos do empreendedorismo. A intuição, cada vez mais percebida, ganha espaço no discurso. É o suficiente?

Outro dia o Max me enviava o que achava ser novo pitch do GoodPeople: “O GoodPeople conecta talentos e pessoas que desejam colaborar para tirar ideias do papel, encontrar novas oportunidades e criar relações positivas”. Era razoavelmente diferente do anterior, o que usamos desde a criação. E exatamente por isso era ótimo! Puf! Mudamos. Por quê? Fomos tateando o caminho e chegamos nisso. Até quando?

Semana passada também acabamos por publicar um post na abeLLha mostrando que já não éramos um só coworking e incubadora, mas focaríamos só em incubar projetos de cunho social. E fizemos isso e estamos com um programa de inscrição prestes a ser lançado. Puf. Mudamos. Sabe? Porque existe um constante exercício de autoconsciência para que você tente entender em que parte do caminho está. A tal da self awareness, que também anda tão falada.

Só que é preciso ser rápido. Aproveitar o espírito do tempo, o zeitgeist. E é exatamente aí que entra o que as kpis não conseguem medir. A humildade. Porque quem há de dizer que está indo no caminho errado? Só quem assumir que não tem a menor ideia de onde está indo. Mas quem é que tem?