Eu comprei a Sexy

Hoje eu comprei a Sexy numa banca de Ipanema. E bom, quem me conhece sabe que o fato de eu ter deixado de fazer o que quer que eu estivesse fazendo para ir até uma banca de jornal e gastar R$ 14,90 é meio sem sentido. Nas férias, em pleno Rio de Janeiro. Depois do fechamento da edição de aniversário. Simplesmente, porque a revista Sexy é o local em que trabalho desde 2009, ou da edição da Sandy Capetinha (calcular a época pelo nome da capa se torna um hábito depois de um tempo trabalhando lá, mas trata-se de junho de 2009) Fato é que por 77 meses eu recebi, na mesa, todas as minhas Sexy. De verdade, existia zero razão para eu ter comprado, inclusive porque no comecinho de Novembro estarei de volta na redação, com a revista me aguardando.

Um lance curioso, esta foi a segunda vez que eu comprei a Sexy. A primeira desde que me tornei Redator-Chefe, em 2012. A outra foi no mesmo 2009, edição de agosto, Ana Saad. Uma semana antes da entrevista que Ivan Zumalde, então diretor de redação, faria para contratar um repórter recém-formado. Antes disso, eu tinha umas três ou quatro Playboy que guardava com carinho, estrategicamente posicionada na melhor gaveta possível. O fascínio adolescente que eu tinha por revista de mulher pelada (com o tempo eu perceberia quão limitador é esse termo) envolvia, de alguma forma, o fato de não comprá-las também. Mas aí entra na conta do terapeuta.

Fato é: eu comprei a Sexy porque não consegui esperar. Porque queria ter em mãos e mostrar pros amigos o que acredito ser uma edição histórica. Por várias razões. Mas principalmente por ser uma edição muito corajosa. Pela forma ousada como escancarou a transexualidade na reportagem escrita pela Bianca Castanho, fotografada por Marcus Steinmeyer (com E no “Meyer” e não tipo Zé Mayer, que foi como a gente cagadamente escreveu no abre. Foi mal, Marcus!) e brilhantemente protagonizada por Ariel, Ledah, Emily, Robis e Renata, as pessoas que você vê aí na foto.

A matéria completa e com a foto sem tarja, só na Sexy mesmo

Pelo editorial de moda com direito a entrevista com Emicida (e a participação de Elza Soares!!), clicado por João Wainer e cujo tema é apenas… Black Panthers. Pelo entrevista dos ensaios de recheio que questionam essa necessidade da depilação da mulher. Pelo entrevistão mais mora na filosofia possível com Criolo feito por mim e pelo Juliano Coelho e fotografado pelo parceiro Alexandre Gennari. Pela postura.

E, no final das contas, porque a gente tem liberdade para exercitar o jornalismo da forma que aprendemos. E espaço para errar também, que é importante. Mas o que está nas bancas é o que a gente acredita que seja uma maneira honesta de uma revista masculina olhar para a sociedade. Aliás, revista masculina? Quem disse? Pelo que entendo é hora da Sexy ser cada vez mais uma revista libertária que fala sobre sexualidade e estilo de vida. É uma voz necessária na gritaria que tá rolando aí fora. Dando seu jeito de bater no peito e gritar também. Mas aí também é só o que eu acho.

E fazer isso sem perder o rebolado, que claro, é um baita desafio. Porque a gente não podia mudar de uma hora pra outra a voz editorial que rege a revista. Entende? A tarefa que é encontrar respostas para perguntas como: “Como encontrar uma abordagem Sexy para falar da transexualidade?” “Como comunicar o leitor que talvez não esteja nada acostumado com o assunto?”. Só com muito papo de redação e cervejas. E como continuar oferecendo o conteúdo divertido de sempre. E os questionamentos vão longe… E deságuam nestas e outras matérias, como a que fala de design de rótulos de cerveja num ranking com jurados como Luiz Stein, Adão Iturrusgarai, Bebel Prates, Sérgio Maciel (dono do Led´s tattoo) e Caco Galhardo, ou como a entrevista que conversou sobre doping com a Rebeca Gusmão, ou ainda a reportagem que falou da doidera que são as guerras de AirSoft que o Leo Cavallini fotografou bem demais…Saca?

Por isso eu comprei a Sexy. E vi que muita gente que nunca tinha comprado, e vai comprar também. Homens e mulheres trans, homens e mulheres cis. Pessoas. Era esse o objetivo.

Ps. a edição que comprei, ficará em Santa Teresa, na abeLLha, um coworking que de dois meses pra cá tenho ajudado a tirar do papel.

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