Se a escravidão fosse legal

Se ter escravos fosse legalizado, nós os teríamos? Eu digo que sim, teríamos. Sabe por quê? Porque nós veneramos o estabelecido, batemos palma para a autoridade e não abrimos mão da subserviência. Precisamos de servos, de subalternos. “Raimunda, trás a minha janta! Depois lava direitinho a privada porque eu melei ela toda. Sabe como é que é, né? Estou naqueles dias…”, “Zé, lava o banco do meu carro! Comi a novinha no banco de trás e sujei tudo” são frases normais por aqui.

Aplaudimos quando o PM mete a porrada no preto. Damos glória a deus quando o templo africano é depredado, mesmo que sejamos negros. Mesmo que não faça sentido. Mesmo que estejamos nos batendo. Reclamamos da ascensão e do “exagero” que são os direitos do trabalhadores. Já parou para pensar no quão desprezível nós somos?

– Credo! Esse garçom nem trouxe meu babador!

Pelo andar da carruagem, e dos acontecimentos recentes, se a escravidão fosse legal, você teria um escravo só pra tirar suas selfies. Teria outro para carregar sua bíblia. Outra só para o estupro. Teria também um para você bater no rosto, só para mostrar quem manda.

Só se lembre de uma coisa: se a escravidão fosse legal, nós seríamos escravos. Isso mesmo. Pardo não é branco. Miscigenado não é ariano. Classe média não é burguesia.

É sempre bom ficar esperto. E entender de qual lado nós estamos na estrutura da sociedade. A plebe é maioria.

Lembre-se disso…

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