Crítica: The Wire — 1ª Temporada

Agora eu entendi o porque chamam esta de “a melhor série de que você nunca ouviu falar”.

Após ver as duas temporadas de True Detective, todo o meu pensamento à respeito de séries mudou. Antes achava que a série é um entretenimento “barato” e repetitivo mas que de alguma forma eles te conseguiam te fisgar para ficar acompanhando o programa ao longo da temporada. Felizmente meu pensamento mudou e desde então tive o prazer de ver outras séries que me trouxeram boas experiências e que me fez deixar os filmes um pouco de lado. Os grandes culpados por isso foram Lost, da qual adorei e por agora foi The Wire em que será abordado neste texto.

A Escuta, como foi intitulado no Brasil na época em que o programa passava é sobre a guerra entre a polícia e o tráfico de drogas na cidade de Baltimore, aliais, peço desculpas por usar o termo “guerra” pois de acordo com The Wire isso é diferente porque.

Isto não é uma guerra pois guerras terminam.

Assistindo ao programa eu acabei entendendo o porque dela não ser popular como as outras grandes séries da opinião pública como The Sopranos ou Breaking Bad. Tive dificuldades para assistir aos primeiros episódios, para qualquer um que não viu a série antes achará arrastado e terminará o piloto com aquela sensação de que aconteceu quase nada, no entanto, felizmente não é assim, The Wire tem seu ritmo própria, a sua maneira de se contar história e uma vez que você consegue entrar nela de fato, entenderá o motivo dela ser grandiosa.

Não há glamour, não há romantismo, The Wire pega todos aqueles seriados convencionais policiais e a desconstrói, é cru, é realista. Esquece o que você viu em séries como CSI, The Mentalist, Law & Order, Criminal Minds etc. Não existe caso da semana, apetrechos super tecnológicos, justiça sendo feita, impressões digitais sendo facilmente retiradas, planos mirabolantes e policiais ou detetives extraordinários.

Na série você tem de deparar com falta de recursos para investigação, inúmeras barreiras burocráticas, policiais incompetentes , dificuldade para achar provas ou pistas e quase não há o recurso do cliffhanger para lhe segurar e sair com aquela imensa vontade de ver o próximo episódio.

Uma das melhores coisas da série são os personagem e que personagens! Não vemos apenas o lado dos policiais como também quem está sujeito a esta vida de criminalidades, não tem um lado do bem ou um lado do mal, é tudo cinza, tem horas que você simpatiza mais com os traficantes e outra hora mais com os policiais.

Continuando a falar sobre os personagens, todos eles tem profundidade e são bem humanos, tem policial que no começo apenas comete “cagadas” que o fazem odiar o personagem porém ao longo da temporada você acaba gostando dele pois ele se torna essencial para a operação, o McNulty é um ótimo detetive porém ele como pessoa é um cus** tanto que em todo episódio alguém xinga ele, há policiais tão corruptos que existem traficantes com uma índole moral muito maior que eles, o personagem mais “gente fina” da série é um viciado em drogas e claro, o Omar.

Por mais que The Wire tenha muitos bons personagens e bem construídos, nenhum deles é maior que Baltimore, a cidade é a protagonista da série, ela tem vida, ela dita o jogo e todos os personagens não passam de peças em um jogo de Xadrez que é brilhantemente explicado pelo Dee no episódio três.

O programa além de tudo tem diversos momentos imprevisíveis e ótimos diálogos tendo frases que você pode carregar para o resto de sua vida. É triste você ter visto uma série incrível e conhecer muito pouco ou ninguém que a viu para poder discutir ou compartilhar ideias e pensamentos, The Wire é uma série que eu indicaria para todos assistirem porém é necessário saber qual é o perfil de cada um porque não é uma série fácil, é necessário atenção, é necessário ter paciência, eu não teria terminado de ver a primeira temporada da série se eu não tivesse assistido outras séries antes, aliais, com toda essa moda de binge watching, diversas séries que vi da Netflix são bem arrastadas no começo e demora um pouco para você ser fisgado pela série. Então se você consegue assistir essas séries, você consegue ver The Wire, porque é espetacular e tem o dever de ver essa obra prima da televisão.

It’s all in the game, yo. All in the game.
One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.