OBSOLESCÊNCIA PLANEJADA: MAIS UM FRUTO DA ECONOMIA MAQUIAVÉLICA DO ENGANO

Aterro de lixo eletrônico em Gana (África) \ Cosima Dannoritzer.

Nesta composição será enfatizado as consequências, preocupações e colaborações da obsolescência planejada, sendo essa dividida entre desejabilidade, função ou qualidade, em conjunto fundamental com o consumismo desenfreado na economia como um todo. Não deixando de lado os aspectos sociológicos por trás do mesmo e suas implicações futuras.
Sabido que a obsolescência planejada e consumismo são concomitantes e intrínsecos. o aparelho do primeiro tem raízes na década de 20, quando fora criado um cartel com objetivo de minimizar a vida útil de lâmpadas elétricas estabelecendo que não deveria alcançar mais de 1.000 horas, a ascendência desse modelo de produção deu-se perante a Grande Depressão de 1929, quando foi notado que produtos que perduravam desajudavam a economia.
Com a modernidade liquida e o início da sociedade de consumo, para Bauman, os indivíduos encetaram a serem estimados pelo capital social individual (Esse como conceito sociológico) , no qual passa-se a buscar incessantemente o ter e deixa-se ábdito o ser e o existir. Por conseguinte, esse modelo acondiciona a falsa felicidade fomentada pelo objeto de consumo que quando obtido, o anseio se liquefaz novamente em forma de adquirir mais um distinto item. (Uma das bases da obsolescência)
Essa se configura com uma das formas de equilibro entre a oferta e procura do sistema irracional moderno, por conduzir tudo ao descartável, em que tem-se uma produção que não visa suprir as necessidades humanas, mas sim sustentar a dinâmica da aceleração do ciclo de acumulação do capital. Assim como os seres humanos, nessa organização, as mercadorias são descartáveis e cumprem um objetivo contribuinte mor: manter em funcionamento o mercado.
O indivíduo passa a ter e querer aquilo que não pode, o que regride a sua própria economia, mas em contrapartida aumenta o seu ilusório status perante a sociedade, como diz a letra de Edu Krieger “Você ostenta o que não tem, pra tentar parecer mais feliz, mas não sabe que pra ser alguém, tem que agir ao contrário do que você diz…”, a pirâmide das necessidades de Maslow na modernidade tornar-se inversa e passível de oscilações.
Na economia de mercado a criação da demanda, não sendo nem um pouco preocupada com o meio ambiente, propicia a garantia de emprego pelo desperdício dos fatores de produção, e o rotacionamento do capital e o desenvolvimento social e tecnológico propulso pela competitividade das empresas.
Como consequência grave da obsolescência planejada para com o meio ambiente, gera-se uma quantidade atroz de resíduos sólidos urbanos desnecessariamente, contribuindo assim para a degradação do meio ambiente e a decadência e desaproveitamento das matérias primas. Não se esquecendo, pois, da poluição e do direcionamento do lixo para países de terceiro mundo.
Em virtude dos fatores mencionados demonstra-se que esse modelo se torna insustentável para as gerações futuras e é indispensável no modelo atual. Na RDA e na URSS o consumo era consciente e os produtos duráveis, pois não se almejavam lucros, por ser uma economia planificada. As perguntas que ficam sólidas são: Até quando isso permanecera? Como lidar com isso sem que ocorra o desemprego? E quando se der a ascensão da robotização, como ficara os empregados?

“Se as máquinas produzirem tudo o que precisamos, o resultado vai depender de como as coisas serão distribuídas. Todos podem usufruir de uma vida de luxo e prazer se a riqueza produzida pelas máquinas for compartilhada, ou a maioria das pessoas podem acabar miseravelmente pobres, caso a pressão dos proprietários das máquinas contra a distribuição da riqueza obtiver êxito. Até agora, a tendência parece seguir na segunda opção, com a tecnologia conduzindo a uma desigualdade cada vez maior” — Stephen Hawking