Qual é nosso papel no mundo?

Já está escrito? Alguns acreditam que sim.

Eu sou pai de dois. Minha vida não tem nenhuma aventura épica (daquelas de documentário), nenhum grande acontecimento (por exemplo, pra vocês entenderem o que eu estou falando, os pais do Elon Musk construíram um avião manualmente e viajaram o mundo com mapa de papel. Certo… imaginaram?!). Pois bem, eu sou feliz, mas é porque eu sou, porque eu prefiro ser feliz a viver uma vida triste. Claro que eu tenho artifícios para viver uma vida feliz… eu sou pai de dois e bem casado, e no fundo, no fundo, quem decide somos nós. Eu nunca vou me esquecer de um vídeo que vi, mas não queria ter visto… era de um cachorro, preso, esperando para virar comida na China. Quando o Chinês chega perto dele ele abana o rabinho… Esse cachorro escolheu ser feliz.

Qual é o nosso papel no mundo. Eu falei sobre ser pai, porque um pensamento que NUNCA tinha passado pela minha cabeça tem passado ultimamente. Será que eu existo pro Miguel e o Bernardo poderem existir? Será que eu existo apenas para mexer uma peça em um tabuleiro gigante que irá mexer em todas as outras? Será que eu sou aquele dominó no meio que tinha que estar ali pra empurrar a próxima peça, que não tem todo seu valor, mas que se não estivesse ali, toda aquela ação em corrente seria quebrada.

Vocês já pensaram que Einstein teve um pai. Que Mozart teve um pai… que Shakespeare teve um pai. Que Da Vinci, que Bill Gates, que Ghandi, que todo mundo que está lendo isso aqui teve um. Qual é a influência disso? O que eles fizeram. Qual o momento na vida em que o pai do Einsten olhou de fora pra situação e percebeu ele gerou o Einstein. O Einstein!!

Qual é o nosso papel no mundo. Imagine o pai do Pelé quando viu seu filho vencer uma Copa do Mundo e ainda fazer o gol na final… duas vezes! Pelé com 17 anos estava fazendo dois gols em uma final de Copa do Mundo. E tenho certeza que o pai dele influenciou na vida dele, porque a maneira como ele parou de jogar, foi de acordo com que o pai dele ensinou. "Pare no auge" e foi como Pelé fez, pegou a bola, se ajoelhou, agradeceu e saiu de campo (no meio do jogo!).

Qual é o nosso papel o mundo? Eu não sei se é viagem minha, mas depois que virei pai passei a pensar e a me comportar de maneira diferente. Outro dia estava vendo jornal com o Miguel (pois é, ele gosta) e eu quase aos prantos vendo ele interessado na história do ginasta brasileiro Arthur Zanetti. Por que eu estava chorando? Não tenho ideia… Eu nem sequer sigo a vida do Zanetti, só sei o mesmo que vocês, que ele ganhou aquele ouro nas argolas. Mas o que passou pela minha cabeça? Que ele se esforçou além do limite dele (e de todos os outros competidores). Pra quê? Por quê? O pai dele implantou algo na cabeça dele capaz de fazê-lo ver a vida de outra forma, de aguentar a dor de forma diferente capaz de permiti-lo treinar exaustivamente e no dia seguinte estar lá de novo pra mais uma rodada? O pai dele fez despertar algum desejo oculto que ele se abraçou e seguiu pra vida? Que terreno eu, como pai, posso preparar pro meu filho??

De que maneira a gente pode ou deve impactar a vida dos nosso filhos para vê-los no futuro impactando a vida de outras pessoas? Vê-los como um atleta, ou um pensador, ou um filósofo… Hoje temos aí dois grandes estudiosos modernos, que eu considero muito, bombando na internet, são eles: Leandro Karnal e Clóvis de Barros Filho. Qual o tamanho do orgulho de um pai que gerou um filho desses. Mas aí eu penso… e a expectativa? Meu filho vai ser um pelé, um Messi, um Einstein, um Leandro Karnal, ou ele estará daqui a 30 anos pensando “Qual é o nosso papel no mundo?