Um tricolor e oito batutas

Após excursão patrocinada por Arnaldo Guinle, os Oito Batutas fizeram uma apoteótica apresentação no Fluminense

Arnaldo Guinle, o patrono do Fluminense, era um grande entusiasta das artes nacionais. O seu apoio cultural foi fundamental para que Pixinguinha, então um músico promissor, se tornasse um dos principais ícones da nossa música popular.

Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, integrava a Orquestra Típica Oito Batutas, que executava choro, modinha, batuques, entre outras, repertório na época considerado proscrito, já que o Brasil, então uma republica jovem, almejava uma identidade que tinha como referência a tradição europeia.

Arnaldo Guinle é patrono do Fluminense

Arnaldo Guinle, porém, destoava da emergente elite brasileira e era presença constante nas apresentações dos Oito Batutas. A convivência, diz a lenda, inspirou Pixinguinha a compor, talvez, a primeira música sobre o futebol brasileiro, o famoso choro “Um a zero” (ouça abaixo), homenagem à Seleção Brasileira que em pleno Estádio das Laranjeiras venceu o Uruguai com um gol de Friedenreich e conquistou o Sul-Americano de 1919. Esta obra, posteriormente, ganhou a parceria de Bendito Lacerda.

Convicto do talento dos Oito Batutas, o visionário Presidente de Honra do Tricolor patrocinou uma excursão do grupo a Paris. A atitude gerou revolta na imprensa brasileira, que não reconhecia qualidades necessárias no grupo para representar o país na Europa.

A turnê foi um sucesso tanto de público quanto de crítica e na capital francesa, Pixinguinha assistiu a apresentações de grupos de jazz americanos e ficou encantado ao ver o integrante de uma destas bandas executar ao saxofone algumas de suas composições. Ao perceber o fascínio do músico brasileiro pelo instrumento, Arnaldo Guinle o presenteou com um idêntico.

O retorno ao Rio de Janeiro foi triunfal e após uma grande apresentação no Jockey Club, fizeram uma apoteótica performance no Fluminense, onde foram consagrados.

Em 1923, excursionaram pela Argentina e fizeram algumas gravações na RCA Victor local. Entre elas, registraram o maxixe “O Tricolor” (ouça abaixo), do saxofonista Romeu Silva.

Feliz com o sucesso de Pixinguinha e os Oito Batutas, o visionário Arnaldo Guinle resolveu também apoiar um promissor maestro chamado Heitor Villa Lobos. Bom, mas esta já é uma outra história…

(Autor: Heitor D’Alincourt / Flu-Memória)