Um conto sobre a pós-graduação — Parte 1

A pouco mais de um ano escrevi um texto no meu perfil do Tsü (por isso acho que não existe mais) falando como era complicado ser pós-graduando no Brasil. Bem, um tempo depois venho fazer um update sobre a condição, e além disso acrescentar uma opinião pessoal do atual e CALAMITOSO momento.

Quem faz ou fez pós-graduação no Brasil, muito provavelmente, já ouviu uma questão: “Mas você só estuda?”. Essa questão é cerne do desentendimento do que é uma pós-graduação. (Aqui, quero deixar claro que vou falar sobre o Brasil e a pós-graduação daqui e não de outros países. Pois, outros países têm uma maneira diferente com pós-graduandos.) A resposta para tal pergunta é não! Ou como muitos gostariam de dizer NÃO!!!

Os pós-graduandos estudam, e muito por sinal. Afinal, na carreira acadêmica estudar é uma obrigação, e se alguém entra nessa vida vai estudar até o dia em que decidir sair. Estudar na pós-graduação é o básico, afinal ser cientista não é fácil. Porém, estudar é a base, as demais peças são as que diferenciam o cientista das demais profissões. Nós geramos conhecimentos, tentamos por mesmo pouco que seja, expandir o entendimento atual sobre um assunto/tema.

Nós somos remunerados (pelo menos alguns, não sei o número certo, nem porcentagens, por isso aqui usei uma generalização), recebemos uma quantia mensal que serve como manutenção, pagar aluguel, comida, transporte, coisas básicas. Mas, não é um trabalho, é difícil explicar como é, mas o que recebemos é o que chamam de ‘DOAÇÃO’. Mesmo muitos pós-graduandos não sabem que o que recebemos é doação. O valor desta doação é diferente e relacionada ao grau do pós-graduando, se for mestrado X se for doutorado Y. Os valores por grado podem variar por exemplo, uma bolsa de Doutorado para CAPES e CNPq é de R$ 2200,00 enquanto para a FAPESP (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo) é de R$ 3446,30 [e vai aumentar agora — Te amo FAPESP].

Na pós-graduação, nós estudantes, temos várias obrigações. As obrigações vão desde, relatórios anuais ou semestrais, apresentar trabalhos em congressos/simpósios, desenvolver um projeto de pesquisa, tirar boas notas dentre outras. É como se fosse um trabalho, mas não é, é algo mais complicado. Por exemplo, se você for contratado, você está tem certeza que o contrato vai te ajudar caso algo não esteja certo. Na pós-graduação não. Você é acuado de todos os lados, já ouviu o ditado ‘A corrente sempre arrebenta do lado mais fraco?’, isso é a pós-graduação.

Vou continuar o texto em uma parte dois, quando terminar vou colocar o link aqui.

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Diego Santana Assis

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Biólogo, entomólogo, aficionado por livros, jogos e séries de suspense. Divulgador de ciência no blog Formiga Zumbi. E doutorando na USP — RP.