A Morte do Poeta.

Sinto saudades daquela palavra, daquela palavra, como é? Daquela palavrinha que causa um friozinho na barriga, que arregala os olhos e faz você falar: “Pronto, agora…” Ah! sim a palavra que convive com a alma daquele que sente, daquele que brinca com elas, que as alimentam, que as faz dar um novo sentido, uma nova rima, uma nova poesia.

Mas se perguntarem para mim: o que será do mundo sem os poetas? oras, eu sei lá. Só sei que nesse misto de ar rarefeito e concreto dos grandes centros urbanos, as “Metrópoles” que habitam nosso dia-a-dia que consome nosso tempo, que provem nosso sustento…. tudo irá perder a cor e o cinza se tornará mais cinza, e não haverá música, a não o som cadenciado dos martelos dos metalúrgicos ou ainda o roçar dos sapatos dos bancários nas calçadas. Haverá um nosso tipo de fome. A fome por cultura e a vida de universitários se deixará levar pela ação hipotética da voz de seus mentores.

Quando não sobrar mais água e nem céu e nem teto sobre nossas cabeças. quando o grito for silenciado, eles olharam para mim com ar de indignação e cochicharam sobre minhas costas: “Ei, aquele não é o xico? o velho xico? coitado! tinha tantos sonhos e agora vaga pelas sarjetas falando rimas desconexas a troco de migalhas de pão.”

A muito tempo ouvi dizer que o poeta vive de migalhas, pois toda vez que se declama uma poesia ou poema, ou o que vier primeiro e alguém aplaude e ai que está uma migalha e varias pessoas aplaudindo são varias migalhas para alimentar o ego do poeta que com certeza, irá se converter em inspiração. um poeta não vive só de migalhas, mas de todo elogio que sai da boca do povo.

Enquanto romances para fazer sucesso e fama precisão vender na casa dos milhões. uma obra de poesia que vende na casa dos milhares, se chegar em tal número, já é considerado um sucesso.

e estranho ser poeta nos dias de hoje, é uma epopeia ou uma lastima sem fim, você pensa e escreve de forma a se escrever uma carta aos amigos mais endereçada a você mesmo ou ao desconhecidos, sem tem o valor devido, parece que poesia boa é só aquele convertida em música de preferência não muita complicada e bem ritmada para cair no gosto do freguês…

Ah! A palavra! sim a palavra que nós move que pelo menos, para mim, me move a escrever mais e mais, não é inspiração, nem talento, nem pensamento, nem dom, mas sim entusiasmos… ser poeta é ter entusiasmo pela vida, é transformar algo que já existe em novo e aperfeiçoar o que é banal e cliché. Ser poeta tem seus percalços e seus desalinhos. mas é uma sensação tão gostosa como a um nascimento de um filho.

Não deixe a poesia morrer, não deixe a poesia acabar o mundo precisa de poesia, a poesia foi feita para se entusiasmar.

Encontro dos Poetas — Biblioteca Municipal de Marília. Outubro/2008

Originally published at arquivodeleitura.wordpress.com on January 28, 2015.

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