solidão…

A solidão me ataca novamente. finjo comigo mesmo em não estar sozinho, mas como é difícil escapar da solidão quando não se tem amigos.

Ando de um lado para outro, olho o relógio, parece a mesma hora de 5 minutos atrás, maldito relógio, maldita hora e maldita vida… gosto de ouvir o silêncio, pois o barulho da minha imaginação inquietante é algo realmente admirável. Sem perceber estou com a mão numa caneta e um papel em meus olhos e me vem de novo aqueles enfadonhos versos sobre o amor, a vida, a liberdade de ser quem você é.

“ A vida é frágil,

Tão Frágil quanto sua alegria,

se a vida me faz sorrir como palhaço

É porque ainda acredito poder faze-la mais bonita…”

E ao som de algum rock melódico ou alguma canção de Scorpions a minha inspiração transborda, como copo que não suporta a última gota d’água. Mas mesmo assim, sinto-me profundamente sozinho, mesmo que meus versos digam o contrário e me vejo rodeado de amigos… amigos fantasmas.

Gosto de observar a noite ao invés de me contemplar demoradamente no espelho. Acho que isso me faz uma pessoa menos vaidosa, não acham?

O bom da solidão é que você pode fazer tudo que lhe der na telha sem medo de represalhas, bem quase tudo, mas a maior vantagem é que você pode morrer sem deixar vestígios, sem dar satisfação para ninguém (deixe isso para Deus quando chegar ao paraíso ou ao Diabo se por azar atingir o inferno).

A solidão é a bebida dos que querem se esquecer, talvez a idade até ajude nesse ponto, mas quem não pede um minuto sozinho para esquecer certas coisas ou se afasta do pessoa da empresa, da escola, da roda de amigos, para ficar refletindo sozinho. Claro bom mesmo é uísque ou conhaque ( não me venha com cerveja, por de amargo já basta as tragédias).

A solidão me ataca novamente e junto com ela a insonia, talvez estar sozinho é bom para manter-se acordado quem o diga o vigilante noturno de um banco. Ando de um lado para o outro, e o tique-taque do relógio na parede parece marcar meu compasso. Penso se é possível dançar e adoraria se aquela pessoa me tirasse para dança agora. Ensanho um ou dois passos na certeza que a solidão é minha unica companheira, a unica para quem posso toma-la em meu braços e dançar noite afora.

Acho que to me tornando um solitário paranoico. E me pego rindo, um riso solto, com a felicidade de estar simplesmente só. A mágica não está no conformismo da solidão mas na compreensão de ser a unica pessoa daquele lugar em aceitar a eventualidade de estar sozinho. boa noite vida! boa noite a mim, boa noite solidão, vê se deixa eu dormir.

Francisco M. C. Veiga.


Originally published at meuspoemasnossosproblemas.blogspot.com.br on April 24, 2015.

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