Sobre julgar sentimentos

Lucas Freitas
Jul 21, 2017 · 2 min read

É difícil se abrir sobre isto, é difícil escrever sobre algo que você sempre escondeu sentir. Porém, eu não consegui me conter após ver (em sequência) o efeito disto em dois dos cantores que mais admiro.

Chris Cornell e Chester Bennington se mataram enforcados. Eram amigos, Chris foi o primeiro e Chester cantou em seu velório (vídeo abaixo).

Chris faria 53 anos hoje, coincidência ou não, nesta data Chester não suportou seus próprios sentimentos e também se matou. Dois artistas mundialmente famosos e bem sucedidos. Chester, além da fama, era casado e tinha seis filhos. O que leva uma pessoa a cometer suicídio?

Não sei dizer ao certo, não sou especialista no assunto. Mas, posso afirmar por experiência própria que a nossa mente é, muitas vezes, a nossa maior inimiga. Vou explicar um pouco da minha história e dizer abaixo coisas que disse para apenas algumas pessoas.

Tenho 23 anos, um “bom emprego”, uma família que é unida e me ama, uma irmã que é também minha melhor amiga e um grupo seleto de bons amigos. Por vezes, me sinto só, mesmo sabendo que não estou, por vezes, sinto que não faço falta na vida de ninguém, muitas vezes, sinto que nada que fiz no dia deu certo, que sou um fracasso e algumas vezes, já pensei em me matar.

É incrível como não conseguimos encontrar explicações lógicas pra isto, desde criança tive estes sentimentos, na adolescência, passei noites em claro, tentava entender o que sentia, mas não conseguia. Tudo estava nos trilhos, mas minha vida parecia estar um caos. Por pensar que meus pais não entenderiam o meu sentimento, nunca me abri. Sabia que a resposta seria que eu estava “carente”, ou que tudo era “frescura minha”, que muita gente daria tudo pra estar no meu lugar e eu deveria valorizar a vida que tinha.

Eu não discordo, realmente, muita gente daria tudo pra estar no meu lugar, não me julgo um “sofredor”, como disse acima, sempre tive uma família bem estruturada e bons amigos. Nunca fui rico, mas também nunca passei falta de nada. Sou branco e hétero, o único preconceito que sofri na vida foi social, por não ser rico como alguns colegas de faculdade e ter que trabalhar o dia todo pra pagar por meus estudos (embora isto seja motivo de grande orgulho para mim).

Sei que não faz sentido para quem está de fora que eu me sinta assim, sei que muita gente irá me julgar após ler este texto. Muitos terão em sua mente a mesma resposta que eu disse esperar dos meus pais. Infelizmente, empatia não é um sentimento popular.

Eu só queria aproveitar a deixa para dizer um pouco sobre mim, dizer pra quem se sente assim que você não está sozinho, você pode me procurar, procurar um amigo ou uma instituição de ajuda (abaixo deixo os dados das linhas de prevenção de suicídio).

Telefones: 141 – 0800 273 8255 – 0800 290 0024

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Palmeirense de nascimento, Vilanovense por paixão e fã de Seattle Seahawks (NFL).

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