GT16 - Bombom, São Tomé e Príncipe

GASTagus
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Aug 28, 2017 · 5 min read

Na bagagem cada um levava não só sonhos e desejos, mas também medos e receios do desconhecido. Chegámos e sentimos que a partir daquele momento, o principal seria apenas uma coisa: viver e aproveitar ao máximo cada segundo como se fosse o último!

Tivemos como parceiro, pelo 4º ano consecutivo, a paróquia de N. Sra. De Fátima de Bombom, na pequena vila de Bombom, que nos acolheu com um enorme e caloroso ambiente familiar, permitindo-nos sentir em casa desde os primeiros momentos. É inexplicável descrever a felicidade que se sente ao receber o primeiro abraço e sorriso tímido de cada um daqueles meninos que tanto amor e carinho têm para dar! Por meio de alguns risos e olhares curiosos, a entrega era notória desde os primeiros segundos de contacto, tal como se nos conhecessem desde sempre… e com uma simplicidade que não há igual! Conhecem aquela sensação de estar agarrado e não querer largar mais? Em S. Tomé sente-se isso, em missão sente-se isso, e nunca queremos que acabe.

Somos desafiados dia após dia, despertar após despertar! Desde os bons-dias calorosos do Sudaleif e dos irmãos às 6h da manhã, até ao deitar, em que adormecíamos com as galinhas (ou pelo menos parecia, com o cacarejar esganiçado que ouvíamos a cada madrugada, mesmo ao lado do nosso “quarto”!). Por entre campos de férias para crianças e formações de saúde, informática e gestão a adultos, para além da hora da mulher às segundas-feiras e do GASBom (grupo de jovens) às quartas-feiras, as peripécias iam surgindo a cada instante! No fundo, foi um mês carregado de aventuras e desafios… mas sabem? Qual seria a sensação de recordar algo sem histórias e pormenores que fizeram da nossa missão, A missão? Não teria de certo o mesmo gosto que temos ao relembrar o melhor mês das nossas vidas, no nosso cantinho no meio do oceano…

Hoje guardamos com saudades tudo o que vivemos. Desde o pão quente trazido de manhãzinha pela Nilza, as cavalitas e o “upa-mi” dos pequenos, as traquinices típicas da idade e a vontade de aprender mais e mais, as brincadeiras até cair para o lado de manhã à noite, a alegria de viver da comunidade, as músicas do coro da paróquia, as segundas-feiras em que íamos ao mercado e podíamos comer peixe ao almoço (porque não tínhamos frigorífico), os almoços da D. Esperança com enlatados levados por nós, a comida sempre a dividir por 6, a banana feita de todas as mais variadas formas e feitios e o coco por todo o lado, os olás e acenos frenéticos na rua, o ritmo do kuduro e do kizomba, o banho de caneco que se tornava o melhor momento da semana, o cheiro do sabão azul e branco e o aprender a lavar “bem” a roupa à mão, a flexibilidade de dormir num chão frio para nos adaptarmos aos colchões de encher rotos e às redes mosquiteiras furadas, as olheiras e os pés sujos característicos, a falta de “energia” (luz) e água em determinados dias que nos faziam dar valor a cada gota que temos no nosso País… a simpatia e o acolhimento dos jovens, as senhoras a andar nas ruas com sacos na cabeça e crianças às costas, as capulanas usadas das mais variadas formas a contrastar com a pele negra do corpo, os “aaainda” das crianças e o “brranco” por todo o lado que passássemos, a hiace e a carrinha de caixa aberta com o vento a bater na cara, os sapatos “com fome” e os pés descalços pelos chinelos caírem ou simplesmente não os quererem usar… sim, é como eles são mais felizes! Ah, e sem esquecer, os dias de folga… com as praias paradisíacas, as cascatas, a floresta de Obô e as magníficas paisagens a perder de vista!

No meio disto tudo, havia uma das coisas mais importantes, um grande pilar sem o qual nada disto teria sido vivido da mesma forma… uma equipa! Equipa essa que ao longo de um mês é a nossa família! Juntos rimos até adormecer, conversamos pela noite fora, demos abraços no final de cada partilha, chorámos e rimos, e partilhamos momentos de grande cumplicidade e espírito de equipa!

Neste mês aprendemos que um dia pode ter mais de 24h, que um abraço não é só um simples abraço e um beijinho intenso não é só um beijinho… que por muitos problemas que tenhamos, existe sempre um novo dia para acordarmos com um enorme sorriso no rosto e encarar o mundo! Aprendemos que existe magia em cada palavra proferida e um sonho por realizar ao cruzar de cada esquina. Aprendemos que a vida é feita de pequenos nadas que se tornam, no fim, tudo! Em S. Tomé aprendes que o amor pode ser transmitido das formas mais puras e verdadeiras, que podes dar muito mas recebes sempre o dobro daquilo que dás! E que, sem esquecer, a vida é levada em modo “leve-leve”! Para quê complicar?

É-nos dito que o difícil é voltar. Quando voltamos, quando a pressa de cada semana acaba e o tempo livre nos invade o coração, para além das saudades, ganhamos consciência da falta de conteúdo nas nossas próprias vidas, apercebemonos de um vazio que se torna manifesto da progressiva automatização do quotidiano… e, aprendemos que viver no aborrecimento do dia-a-dia não é viver, é existir! E ainda, por mais irreal que pareça, o GASTagus ensina-nos a viver da magia e do sonho!

Passe o tempo que passar, iremos sempre olhar para trás e relembrar todo aquele o amor, sorrisos e abraços esmagadores e incomparáveis! Lembrarmo-nos de como S. Tomé mudou a nossa vida, de como Bombom, e todos com quem nos cruzamos, mudaram o nosso mundo! “Tudo o que é bom dura o tempo necessário para se tornar inesquecível…” Sem dúvida!

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Pretendemos capacitar os jovens para a cidadania activa através da promoção de voluntariado nacional e internacional e de actividades de educação não formal.

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