GT16 - Ponta D’Pom, São Vicente — Cabo Verde

Vivi o melhor mês da minha vida, desde que tenho memória, na Ilha de São Vicente — Cabo Verde. Aprendi mais do que ensinei, recebi muito mais do que dei, conheci mais do que dei a conhecer, fui mais feliz do que alguma vez fui.

Esta é uma aventura que sei que nunca me irei esquecer: foram os sorrisos das crianças, as suas perguntas e brincadeiras, os voluntários de lá e os nossos voluntários, a campanha das tartarugas. Mas, principalmente, foi aquela terra e aquela gente.

Em Janeiro inscrevi-me no GASTagus com o objectivo de ir em missão, tinha a certeza que não iria desistir. Foi uma decisão bastante difícil, a minha família não me apoiava muito, nem no dia em que me fui embora, mas quando realmente queres algo de coração, consegues tudo. E eles acabaram por perceber isso.

Equipa: João, Sandra, Alice e Lúcia

O mês em Cabo Verde…em primeiro lugar, o tempo foi horrível na primeira semana e meia (eu sofro muito com o calor), e parecia que estava quase a morrer a cada dia que passava, mas depois habituei-me. Os banhos, esses quase nem vê-los. Normalmente tomávamos banho às quartas e domingos, os outros dias, era a festa da toalhita húmida. A comida era à base de enlatados, arroz, massa, soja, e um quadradinho de chocolate 100% cacau puro após o almoço (se fores em missão, vais entender o porquê que tens que comer chocolate). Já o lavar a roupa era uma vez por semana, tudo na mesma água, fora a roupa interior, cada um lava a sua, não há cá misturas. A roupa pendurada, cada duas peças com uma mola, a roupa interior de cada pessoa tem que dar para uma mola.

Equipa GASTagus com os voluntários de Ponta D’Pom

Em missão aprendes que o que tinhas como garantido, lá não tens. Aprendes a dar valor a coisas simples da vida, como a água. Reparas que afinal és mais forte do que pensavas, que aguentas coisas que nunca pensaste aguentar. Vais crescer, vens uma pessoa diferente, seja em que aspecto for. E, talvez vais reparar, que tens saudades de ser tão feliz como foste em missão, e de ver os “teus” pequenos — porque, afinal, estás lá para eles, e vão ser eles que vão fazer com que tudo valha a pena.

Vou contar-te uma pequena curiosidade, eu prometi a mim mesma que não me ia afeiçoar àquela gente, que estaria lá para eles, mas só isso. A realidade é que me afeiçoei, o meu pensamento auto-protector não me ajudou em nada, liguei-me muito a eles e sofri bastante. Quando voltámos, sofri ao deixar aquelas crianças e voluntários que tinha conhecido à um mês antes, chorei muito, porque foi o melhor mês da minha vida. Eles deram-me tudo, quando tinham quase nada. E hoje recordo-os, com muita sodad, uma saudade que quase asfixia.

Sandra Vasconcelos
“Oi madrugada imagem di nh’alma
Ma nha cretcheu intrega’m sês lagrimas
Pam ca sofrê nem tchorá
Esse sofrimento ca ê sô pa mim
Oi partida bô ê um dor profundo”

Para ler os testemunhos do João e da Alice, carregue aqui

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