O jogo de uma vida

numa parede qualquer


Talvez você seja um artista que nunca ouviu falar desse jogo.
Talvez você seja um matemático que nunca pensou nele desse jeito.
Pois nós vamos jogá-lo assim.


Pegue uma parede ou quadro negro, canetas e Post-Its de várias cores.
Imagine que a parede ou o quadro é todo cheio de quadradinhos.
Se for, melhor.

A regra original é simples, então, vamos ficar com ela.
Existem dois tipos de quadradinhos ou “células”:
Os vivos e cheios (nós os preencheremos com Post-Its),
os vazios e sem vida.

E em volta de cada “célula” há oito vizinhas:
uma em cada lado, três em cima e três em baixo.


Agora, desenhe um nome com os Post-Its,
preenchendo quantos quadrinhos você quiser…
mas não muitos.

O nome deve ser legível, mas você pode juntar as letras
graficamente do jeito que quiser.

E aí, quando o jogo começar, não importa o quê…


Qualquer “célula” com menos de duas células vizinhas morre
Qualquer “célula” com mais de três “células” vizinhas morre.
Qualquer “célula” com duas ou mais “células” vizinhas sobrevive.
Qualuer “célula” morta com exatas três “células” vizinhas ganha vida.


Durante “8 meses de intervalos de cafézinho”,
John Conway construiu e testou o seu “Jogo da Vida”.
Um jogo sem jogadores, mas com possibilidades infinitas,
assim disse ele.

Por que o jogo evolui por si mesmo e as escolhas dos jogadores
se quer importam depois que ele começa. Mas tudo bem.

Vida e morte são inescapáveis.


Como Conway imaginou, a Vida é um autômato celular.
Uma espécie de biologia matematicamente artificial, capaz de demonstrar como com um movimento inteligente, a partir de um conjunto de regras muito simples, era possível emergir algo complexo.


Então as pessoas pensaram que o jogo da Vida era sobre
“grandes coisas e seus pequenos começos”.
E jogaram esse jogo para replicar as células iniciais em estranhas formas,
num grande quadro de mentira.

Mas eles nunca se perguntaram ou se interessaram em jogar
com o que há dentro de cada célula,
e esqueceram que o sistema de Conway
tem uma propensão tão forte para a reprodução,
como para a desintegração.


Nada é para sempre.


Agora nosso desafio é contar a história de uma vida, aquela que nomeamos.
Tome tempo para se importar com ela, não tenha pressa.
Tome tempo, todo o tempo do mundo.

Preencha os Post-Its com personagens, imagens, objetos, sentimentos, frases, mantendo-os sempre relacionados com aqueles imediatamente ao seu redor. Faça isso devagar. Tome tempo.


Então… quando você estiver preparado… Aplique as regras,
e observe enquanto os elementos que compôe aquela vida
vivem ou morrem, ou dão origem a coisas novas.

Escreva os novos Post-Its, livre-se dos mortos,
até que a formação inicial se desmanche e nenhum nome possa ser lido.


O mundo segue.


O Jogo de uma Vida é a livre adaptação do Jogo da Vida criado por John Conway em 1970

e um story game poem by Goshai Daian.

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