A crise imigratória e a piada de mau gosto do ditador venezuelano

É preciso destacar a gravidade da situação que inocentes estão sendo submetidos na Venezuela, vítimas de políticas de esquerda que já mataram milhões em todo o mundo e que, surpreendentemente, ainda matam em pelo século 21.

O povo, o mais pobre, como sempre é o grande afetado por essas tiranias que tomam conta do poder sempre com promessas de um socialismo que “agora vai dar certo”.

Chavez e, agora, Maduro condenaram o povo Venezuelano à fome e à miséria. Falta de tudo naquele país, inclusive, dignidade, respeito, segurança e liberdade. O desespero está presente em todos os cantos do país e atinge todas as camadas sociais, exceto, claro, os amigos do rei, estes, muito bem protegidos pela tirania de Nicolás Maduro.

Não faltam relatos, vídeos aos montes, com todo tipo de testemunho e de flagrantes violações aos direitos básicos do ser humano naquele país. Violações de direitos humanos que ainda não geraram nenhuma grande “liminar” da ONU contra os tirano venezuelano.

Talvez vocês já saibam, mas vale lembrar que, neste ano de 2018, a Venezuela deve amargar uma recessão econômica na casa dos 15% e, segundo o FMI, uma inflação de 1 milhão porcento. 1 milhão.


Só fugindo

É óbvio que diante de um cenário tão aterrador como este, as pessoas fogem, não há outra coisa a se fazer na luta pela vida. Os mais ricos fugiram para mais longe, para os Estados Unidos, por exemplo. A classe média se deslocou para países como Argentina e Chile, países que compartilham a mesma língua e com alguma ligação cultural, com uma qualidade de vida, principalmente no Chile, bem superior.

Restaram agora os miseráveis, que sequer têm dinheiro para uma passagem aérea e dependem, com sorte, de ônibus, quando não de suas próprias pernas para achar um refúgio, um lugar com água e comida.

Esta última onda se dividiu por alguns países mais próximos como Peru e Equador, mas principalmente Colombia e Brasil, pela maior proximidade. E nesta onda de miseráveis, bandidos da pior espécie se infiltram e vêm junto e é aí que começam os maiores problemas.


Equador e Peru adotam medidas

No início de agosto, Peru e Equador já anunciaram as primeiras medidas para ao menos controlar o fluxo de pessoas para dentro de seus países.

“A partir deste sábado [dia 18], o governo exigirá que qualquer pessoa que entre no Equador apresente seu passaporte”, disse o ministro do Interior do Equador, Mauro Toscanini, numa tentativa de frear os milhares de venezuelanos que entram no país diariamente. O próprio presidente do Equador, Lenin Moreno, já se distanciou do regime venezuelano desde que assumiu o poder no passado.

Quito declarou estado de emergência em três províncias neste mês, após um pico de imigrantes venezuelanos cruzando a fronteira no alto das montanhas andinas. Autoridades disseram que cerca de 4.500 venezuelanos vêm atravessando diariamente — em comparação com cerca de 500 a mil anteriormente, diz reportagem do jornal O Globo. [1]

A estimativa é de que estejam hoje em terras equatorianas cerca de 600 mil venezuelanos fugitivos do socialismo.

No Peru, autoridades de imigração já falam em 400 mil imigrantes no país. Por lá, o governo também confirma a cobrança de passaporte para ingresso no país. No Peru, a cobrança do documento será exclusiva para venezuelanos, já que para outros países vizinhos a apresentação de passaporte é dispensada.


Colombianos preocupados com a situação

Estive em Bogotá, capital da Colômbia, há poucos meses e pude ver com clareza a presença de uma forte comunidade venezuelana por lá. Nas proximidades da Praça Simón Bolivar, bem próximo ao Palácio Nacional, sede do governo colombiano, há grande circulação de venezuelanos em busca de qualquer bico, outros oferecem serviço de câmbio do absurdamente desvalorizado bolívar para o peso colombiano, oferecem também serviço de remessa de dinheiro para os parentes que ficaram na Venezuela. Um cenário triste.

Na Colômbia, país vizinho e com muito mais identidade cultural com os venezuelanos do que nós, é forte também a presença de uma indignação com o excesso de venezuelanos no país. Problemas sociais e de segurança pública aumentaram, segundo muitos colombianos, após a chegada de grande número de imigrantes por lá. Os colombianos já não escondem a preocupação com essa situação.


Brasil e o drama de Roraima

Por aqui, não é recente o transtorno que a imigração descontrolada vem trazendo sobretudo aos roraimenses. São muitos os relatos de crimes, que vão dos assaltos aos assassinatos, passando por tráfico de drogas, prostituição e assédio às mulheres e adolescentes brasileiras.

Um depoimento que apareceu na minha timeline do Facebook me chamou muito a atenção. A autora do texto é a roraimense Daniéle Custódio. O texto é bem longo e vou destacar somente alguns pontos. Volto em seguida.

O link para o post original está no rodapé.

Diz Daniéle [3]:

“Quando alguém de fora de Roraima nos chamar de xenofóbos, vamos lembrar que semana passada venezuelanos mataram um homem à pauladas para roubar os tênis dele e também venezuelanos montaram uma emboscada para matar um senhor, roubar seu carro e vender as peças na Guyana.
Quando disserem que somos cruéis vamos lembrar que três semanas atrás venezuelanos agrediram as ÚNICAS médicas plantonistas da única maternidade de Boa Vista, fazendo assim com que elas saíssem assustadas para fazer um B.O e resultando em bebês mortos no ventre de suas mães.
(…)
Quando falarem que somos insensíveis vamos lembrar dos moradores do bairro Caimbé que vendem suas casas à preço de banana, pois o bairro inteiro virou ponto de prostituição das “oitchenta”, venda de drogas e está entregue aos arrombamentos. Meninas de 15/16 anos saem para comprar pão e são assediadas por quem passa por lá e acha que elas são prostitutas ou que entregam drogas. Já pensou você sequer poder pintar seu muro, pois de noite ele já vai tá pichado com o preço dos programas, que aliás, subiu, não é mais 80; é 100.
(…)
Não nos importemos com a opinião de quem não sabe nada de nós ou dos males da imigração sem freios, deixem que os grandes jornais com jornalistas safados redigindo matérias mentirosas digam que somos ímpios, enquanto eles não têm coragem de dizer que é o Socialismo de Chavez e Maduro apoiado pelo preso que eles querem como presidente que trouxe isso aos venezuelanos, e agora, os males disso aterrorizam até a nós.
Nós sabemos o que é ter um terreno invadido enquanto um socialista membro de ONG ensina os venezuelanos a dizerem ao dono do terreno que só sairão de lá com mandado. Nós sabemos o que é passar a noite inteira com dor e não ir ao HGR por medo da meningite bacteriana que isolou áreas inteiras. Nós conhecemos a impotência em vermos venezuelanos criando associação para lutar pelos seus direitos no Brasil (?) enquanto a nós, aparentemente, nos resta o medo. Nós sabemos que o número de venezuelanos é tão grande, mas tão grande que, se eles pudessem votar e algum candidato fizesse campanha SÓ para eles, ele seria eleito e entre os primeiros. (…)”
E finaliza:
“Quem é de fora e nós critica não têm envergadura moral para falar nada, nem a mais rasa e respeitosa crítica, pois nenhuma dessas pessoas teve culhão ou grelo duro (como dizem as feministas apoiadores do Lula) para apontar o nome do sistema que levou os venezuelanos à ruína ou se fez de cego e surdo quando começamos a dizer que vivíamos à beira de uma tragédia anunciada.
Nós não devemos explicações a quem fechou os olhos para os nossos males e só os abriu agora que estamos cansados. A essa gente que nos critica, mas não tece(u) nenhum comentário sobre Chavez, Maduro ou o Socialismo covarde que destruiu o país vizinho nos limitemos a dizer “vão à merda”.”

Voltei.

Forte, contundente e politicamente incorreto, como deve ser qualquer relato verdadeiro envolvendo questões tão graves. Daniéle expõe mais que uma série de crimes e fatos perturbadores, ela também revela o cansaço do roraimense em ter que lidar sozinho com a situação sem que a mídia, os políticos, o governo, e nós brasileiros de toda parte do país, tomássemos qualquer atitude.

O povo de Roraima está cansado, desatendido e clama por solução.


Criminosos venezuelanos aderem ao PCC

Roraima, já acostumada a índices altos de violência, vê com a chegada de imigrantes, uma degradação da situação. A guerra de facções no estado já recruta venezuelanos em prisões.

“Observamos que muitos venezuelanos foram cooptados pelo PCC. Por meio do setor de inteligência, percebemos que esse contato com o País vizinho vem se fortalecendo e tem relação com a imigração descontrolada”, disse o secretário-adjunto de Justiça e Cidadania (Sejuc), capitão PM Diego Bezerra de Souza em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, datada de janeiro de 2018 [2].

Já no dia 4 de dezembro de 2017, a situação de migração levou a governadora Suely Campos (PP) a decretar situação de emergência no Estado. No documento publicado no Diário Oficial, ela sustenta que o agravamento da situação se deu ante ao “ inesperado e rápido aumento do número de imigrantes que chegaram ao Estado de Roraima, majorando significativamente o contingente de estrangeiros, sem que possuam meios e condições para sua manutenção”


Temer, Suely e Jucá

Ao que parece, há algo mais nessa história que não podemos deixar passar. E esse algo é sim o fator político-eleitoral e a rivalidade existente entre a governadora Suely Campos, do PP, candidata à reeleição e o líder do governo no Senado e também candidato à reeleição por Roraima, o senador Romero Jucá, do MDB, figura muito próxima de Temer e, por óbvio, influente no governo.

Quanto dessa briga regional não pode estar afetando e adiando ações do governo federal na região? E o pior, qual é a falta que faz um presidente da república capaz, corajoso, que coloque o Brasil acima de disputas políticas regionais, num cenário como esse? Ainda temos um presidente? Onde está o Temer?


Como resolver então esta crise?

Diante de todo o exposto, fica difícil achar uma solução fácil num ambiente de tamanho descontrole e falta de comprometimento por parte das autoridades. O certo e ideal é acabar com o socialismo na Venezuela, esse é o único caminho que poderia resolver o problema de verdade. Mas os países latino-americanos são bundões por natureza e o Brasil de Temer e do tucano Aloysio Nunes é ainda pior, é omisso. Logo, não me parece uma opção.

Mas nem tudo é tão difícil assim. Países como Equador e Peru estão começando a se mexer. A exigência de um passaporte válido pode ser uma medida para controle, identificação e responsabilização de imigrantes que vêm ao Brasil. O governo federal precisa saber quem entra e quem sai, quando e por onde. Precisa saber também por onde essas pessoas andam, ou até, determinar por onde elas podem andar.

O imigrante sabe que a condição de refugiado não é fácil, e que para receber essa ajuda, dentre as exigências de âmbito imigratório, deve também se submeter a um controle especial interno que alguém que não é turista, nem residente legal, muito menos um cidadão brasileiro, deve se submeter para a garantia da lei e da ordem do país que busca refúgio.

O governo, também, não pode aceitar mais gente do que tem capacidade em atender, sob risco de oferecer tratamento tão indigno quanto o do país de origem do refugiado. O Brasil, que não consegue atender seus próprios nacionais em seus hospitais e postos de saúde, não pode se propor a ser bonzinho e inconsequente aceitando quantos queiram ingressar em nosso país. Deve haver critério e controle.

Devemos sim ajudar as vítimas do socialismo, ainda não viramos uma Venezuela, afinal de contas, mas não podemos oferecer o que está além de nossa capacidade, comprometendo nossa segurança e favorecendo novos problemas sociais e de saúde pública em nosso país. Doenças erradicadas estão de volta ao Brasil, taxas de criminalidade já elevadíssimas, estão se elevando ainda mais. Isso, sob pretexto algum, pode ser permitido.

Ou somos uma nação de verdade, que protege aos seus em primeiro lugar, ou já estamos condenados à pátria grande latino-americana [4], tão sonhada pela esquerda. E ao nos sujeitar a isso, estaremos assumindo como nossos todos esses gravíssimos problemas venezuelanos criados pelo socialismo latino-americano. É isso o que queremos?


Maduro cobra do Brasil o que não faz pelos seus na Venezuela

Por fim, não poderia deixar de citar a petulância sem precedentes do ditador Nicolás Maduro para com a nossa diplomacia, quando no final de semana, o Ministério de relações internacionais venezuelano solicitou às autoridades brasileiras as “garantias correspondentes aos nacionais venezuelanos e que tome as medidas de proteção e segurança de suas famílias e bens” [5].

Proteção e segurança das famílias venezuelanas? O Maduro está preocupado com a proteção dos venezuelanos que fogem de seu país, dentre tantos outros motivos, pela total falta de proteção que seu próprio país deveria oferecer aos seus cidadãos?

Proteção e segurança dos “bens” dos venezuelanos? O Maduro está exigindo também que o governo brasileiro garanta o direito à propriedade privada dos venezuelanos que, dentre outros motivos, fugiram do país por não terem direito pleno à propriedade privada?

A Chancelaria também manifestou sua “preocupação com as informações que confirmam ataques a imigrantes venezuelanos, assim como desalojamentos em massa”, atos que “violentam normas do Direito Internacional”.

Violação ao Direito Internacional? É sério que o Maduro quer exigir que os outros cumpram com o que ele desrespeita diariamente em seu país?

O Brasil não precisa ser instruído por ditaduras sanguinárias sobre como devemos agir. Vá fazer seu dever de casa, Maduro!

Caros leitores, finalizo esse longo texto lembrando que o socialismo, além de um arma de destruição em massa, é também uma grande piada de mau gosto.