A “estratégia das tesouras” e como a opção por Alckmin, de “mais segura”, pode ser a mais perigosa de todas.

A “Estratégia das Tesouras” está pornograficamente diante dos olhos de todos nós nesta eleição, o que facilita muito o entendimento da tática das tesouras por parte de quem não acompanha de perto o mundo político, ou começou agora a observar o movimento das “peças”.

Diz reportagem do BR18[1], de 12/08:

“Fernando Haddad, na condição de candidato de fato do PT à Presidência, tem feito reiterados acenos ao PSDB. A estratégia parte do cálculo petista de que existe a possibilidade de o ex-prefeito ir ao segundo turno contra Jair Bolsonaro [ASSIM COMO GERALDO ALCKMIN*], o que leva o partido a buscar um eleitorado tucano de centro-esquerda.” (* minha observação)

A estratégia

A “Estratégia da Tesoura” consiste num método onde pseudo-brigas e falsas discórdias entre dois partidos de esquerda polariza o eleitorado, fazendo com que saiam de cena, empurrados pelos holofotes tão somente na esquerda, os verdadeiros partidos de oposição liberais ou conservadores, reduzido-os a meros espectadores, quando não a uma existência vegetativa. Essa ilusão engana sem resistência o eleitorado que pensa estar havendo uma real disputa política e de que realmente possui opções distintas de escolha para as urnas. [2]

Só o verniz distingue o PT do PSDB.

Um exemplo fácil sobre essa não-diferença entre esses partidos é investigar as alianças de Alckmin para esta eleição e constatar com quem esses partidos do centrão estavam aliados até pouco tempo. Vejam a quantidade – e os nomes – dos “novos” aliados do Alckmin arrolados na Lava Jato. Todos estavam com o PT e agora com o PSDB. Como ser diferente assim?

Isso deve ser dito aos eleitores que tendem a votar em Geraldo Alckmin apenas por parecer o “menos pior” ou “mais seguro”. É importante mostrar que muito pouca coisa poderá ser diferente – para não dizer nenhuma – entre os governos desses dois partidos. São os mesmos métodos, mesmos aliados, mesmo time no comando.

Opção mais segura?

Como pode ser mais seguro um presidente que, em troca do apoio que tende a receber do PT num eventual segundo turno, terá que retribuir políticos hoje investigados na Lava Jato e alguns até mesmo já presos, incluindo-se aí o chefe?

Nenhum apoio desse tipo foi, é, ou será de graça num sistema político como o que temos hoje. O Alckmin, nesta eleição, não é a opção mais segura, mas a mais perigosa de todas, tanto quanto um nome do próprio PT. Não há diferença entre eles, não há nem mesmo como apontar quem seria o mais perigoso uma vez no poder.

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[1] Os acenos de Haddad ao PSDB https://br18.com.br/os-acenos-de-haddad-ao-psdb/

[2] Conhece a estratégia da tesoura? https://amigosdadireita.blogspot.com/2015/06/conhece-estrategia-da-tesoura.html?m=1