Qualidade na educação: Coreia do Sul mudou o país com a valorização do professor

A atuação do professor em sala de aula impacta diretamente no desempenho do aluno. É por isso que sua formação precisa ser bem embasada e seus métodos pedagógicos, relevantes para o processo de aprendizagem.

Certo! Até aqui não falamos nada de novo, mas como fazer com que essa aparente utopia se torne realidade no Brasil?

Um exemplo bem conhecido é a Coreia do Sul, um país que aprendeu a valorizar a profissão do educador. Para começar, lá os professores recém-formados recebem cerca de R$ 4 mil por mês, além de terem três meses de férias, número muito maior do que os 12 dias a que os outros profissionais têm direito.

A escolha dos futuros professores do Ensino Fundamental é feita a partir da seleção de 5% dos alunos que apresentaram o melhor desempenho e as melhores notas durante o Ensino Médio. Junto a isso, as vagas nas universidades não passam de 6 mil por ano, portanto, é um curso bem concorrido.

Somente com a avaliação do histórico escolar, com pontos altíssimos em uma prova e com a análise dos conhecimentos em matemática, línguas e de suas habilidades de comunicação é que os possíveis graduandos estarão aptos a entrar na faculdade.

O curso dura quatro anos e ocorre em período integral, exigindo estágios em escolas localizadas dentro das próprias universidades. Durante esse estágio, o futuro professor é constantemente acompanhado por um ou mais tutores.

Mas a qualificação não para por aí. Depois da graduação, o mestrado é obrigatório para que os educadores possam lecionar na Coreia do Sul. Já na rotina de trabalho, eles também são avaliados por seus colegas e por gestores educacionais em reuniões semanais.

Respeito aos professores gera bons resultados

A estrutura tecnológica do país também contribui para os bons resultados da educação: as salas de aula são equipadas com telões, televisores e computadores super modernos, todos com acesso à internet.

Neste contexto, a Coreia do Sul sempre figura entre os primeiros colocados nos rankings de desempenho escolar, como o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa). Recentemente, em uma avaliação que mediu a capacidade de alunos de 15 anos de resolver questões matemáticas, os sul-coreanos ficaram na 2ª posição entre 44 países.

Grande parte do sucesso educacional e, consequentemente, do salto na economia da Coreia do Sul deve-se à valorização dos professores. Hoje, infelizmente ao contrário do que vemos no Brasil, o índice de violência contra os professores na Coreia é de 0%. Junto a isso, mais de 40% dos sul-coreanos afirmam que encorajariam seus filhos a seguirem a carreira de professor.

Professor e celebridade

O caso do professor sul-coreano Cha Kil-yong é bem interessante e pode ser uma inspiração. Cansado da sala de aula comum, Kil-yong criou uma plataforma online em que dá aulas preparatórias para o ingresso na universidade por meio de vídeos.

Fazendo piadas, usando acessórios engraçados e recebendo participações especiais de ícones da música e da TV da Coreia do Sul, o professor conquista a cada dia novos alunos virtuais. Mesmo que o conteúdo das aulas seja focado na matemática, uma matéria considerada chata para a maioria dos alunos, Cha consegue ensinar e entreter ao mesmo tempo, sendo assistido por mais de 300 mil usuários diariamente.

Educação e equilíbrio

As crianças sul-coreanas levam a escola muito a sério, chegando a passar 16 horas por dia estudando. Por lá, os jovens não têm o costume de sair do colégio para assistir TV, jogar videogame ou gastar seu tempo na internet.

O excesso de estudo e de competitividade entre os alunos chega a ser tão grande que já virou um problema de saúde nacional, causando altos casos de suicídio entre os adolescentes. Sendo assim, além do desafio de conquistar os estudantes, o professor Cha ainda tem conseguido tornar o ensino mais prazeroso e leve, como deve ser.


Originally published at www.gvwise.com.br on March 3, 2016.