Sabe aquela ideia doida que você teve?

Sabe aquela ideia doida que você teve? Pare de chamá-la assim. Porque denominá-la desta forma? Só porque não é de ordenação euclidiana, com balaios de hipotenusas? Ora! Mal a ideia surgiu e você já vai colocando uma moldura na volta… que que é isso! Deixe que ela fale. Dê espaço para a ideia não só inspirar, mas expirar, também. Abandone a mordaça do julgamento e escute. Vá vendo a beleza sutil nos cabelos de manhã da ideia. Escute sua pronúncia canora. Coloque-a no colo, faça um cafuné enquanto ela vai dando detalhes. Alimente-a. Sirva um pudim de afeto. Depois leve a ideia para um passeio. Já mais solta, ela lhe comunicará tudo. De novo, escute. Atentamente. Não dê um pio, ouça e deixe de ser besta.

Permita ao mundo da ideia uma visita ao seu. Quando as fronteiras de ambos se tocarem, mergulhe. Entre no planeta da ideia. Explore-o, entenda-o, ou ao menos tente, porque às vezes é difícil. Se tudo der certo, sua zona de conforto estará ali, agonizando no sofá e pedindo a você que volte. Coisa nenhuma. É neste momento que é bom continuar, então prossiga. Quando tiver viajado de cabo a rabo pela ideia, retorne. Dedique-se a esculpir o que viu. Eu sei, é difícil, às vezes chato. Mas vale a pena. É pedra-sabão da alma, cara. Apare. Corte. Modele. Vai sair algo bom disso, confie.

Deixe aquela galaxiazinha dentro de você, rodopiando com luzes e trevas ainda desconhecidas, alçar o vôo decisivo. Não ignore as coisas pequenas que surgem. Delas podem nascer estradas cosmológicas, que sabe lá para onde levam… abrace as viagens que a consciência lhe trouxer. E crie, muito.