Não apoie o Futsal Feminino…

… da nossa região.

Primeiro vou pedir que antes de ler o título e comentar, concordando ou não, leiam o texto até o final. Aviso, pois como de costume, é o que a maioria faz.

Pois bem, venho trocar uma ideia com vocês sobre o futebol, o esporte mais popular do país, que possui grandes competições e consequentemente grandes investimentos e patrocínios. Mas vou falar mais especificamente do famigerado futsal feminino e das competições promovidas por equipes amadoras ou amantes do esporte do Vale do Rio Pardo e Taquari. São eventos que juntam um grande número de pessoas e felizes são os que prezam pelo crescimento da modalidade e o reconhecimento das atletas. Para esses, meus parabéns!

Quantos domingos você trocou o aconchego da sua casa ou o churrasco com a família para ir até um algum ginásio, muitas vezes localizado no interior ou em outra cidade, para jogar ou torcer por seu time? A rotina é mesma, você arruma suas coisas um dia antes, acorda cedo, muitas vezes antes do sol nascer, veste seu uniforme, prepara seu isopor de cerveja (se você tiver atletas de menor na sua equipe é melhor tomar cuidado) e sai com a expectativa de se divertir e quem sabe no final do dia erguer o troféu de primeiro lugar. Não preciso nem citar as diversas tarefas e responsabilidades que assumem os organizadores do evento, mas que ao final de tudo pronto só desejam que o evento seja bom e que não ocorra nenhum incidente, e de fato, sempre que saímos de casa, também desejamos o mesmo. Sair e voltar em paz, com ou sem troféu é o principal desejo do time no qual eu participo.

Mas não venho aqui falar do meu time, venho pedir socorro, pois o futsal feminino precisa de ajuda, ou melhor, as pessoas precisam. Meu intuito não é agredir ninguém, mas sim fazer uma reflexão do que eu tenho visto nesses últimos anos. Presenciei diversos tumultos, e quando eu digo tumulto eu me refiro muitas vezes a brigas generalizadas.

O conflito começa logo na entrada do ginásio, onde os times têm a falsa sensação de superioridade, é como se a quadra fosse o ringue e quem sair com a vitória terá massacrado seu adversário. Após a entrada, onde cada equipe escolhe o melhor lugar na arquibancada, aquela que fica cheia de lixo no fim do jogo, aquela onde pessoas sentam a bunda e “elogios” são proferidos enquanto seu adversário enfrenta outro time. Com ou sem vitória as ofensas são tão diretas, as piadas são tão verdadeiras, que exalam a maldade em forma de sorrisos.

O segundo momento é a entrada em quadra, olhares direcionados em forma de tiros, o ódio mora ao lado, essa seria minha interpretação ao olhar para o banco de reservas que está logo ali. A motivação dentro de quadra passa a ser o gol, tudo bem até aí, até o momento que o gol sai, o sangue ferve na cabeça e aquela ofensa, aqueles olhares de antes se transformam no gás necessário para pôr para fora a vingança, para se sentir em paz, essa é a troca. Saudável, não? Ironias a parte, é nesse momento o início do fim daquele evento que tinha como objetivo de ser um ambiente para se levar crianças, cachorros e promover a integração das equipes.

As atletas mais experientes deveriam ser exemplo pra quem está iniciando, se tornando a motivação necessária para crescer dentro da modalidade. Trocar experiências ainda é o maior ensinamento dentro de qualquer campo de atuação. Aqui as integrações acontecem sim, dois times se unem contra outro, três nem se olham, e o “cu” de muita gente voa solto, só que de dentro da boca de quem pensa estar sendo grande coisa nesse domingo de sol. Depois ainda dizem que não dá para unir poesia e “palavrão”.

Você reconheceu esse ambiente que citei no parágrafo anterior? Se reconheceu, continue lendo estamos chegando ao final, que é a hora em que as equipes recebem a premiação pelo seu esforço, conquistam então seu merecido objetivo, e lá vamos todos, uns mais felizes, outros mais tristes, mas todos conscientes de que é assim mesmo, que nem sempre se ganha e que cada derrota é um aprendizado. Opa, mas nem sempre o final é um ‘felizes para sempre’.

Sabe aquele esforço todo que você faz para treinar semanalmente, buscar verba para custear gastos, organizar a locomoção de todos e pagar sua alimentação? E você já ouviu por aí que o futsal da nossa região está em crescimento? Que a educação e a disciplina são fundamentais? Que a captação de atletas é o fomentador de futuro? E que o time que você joga é o melhor? Que possui as melhores pessoas e te ensinam o melhor jeito de chutar, driblar, e o mais importante, meter gol e vencer o jogo a qualquer custo? Todo esse esforço anda indo por água abaixo por aqui.

No nosso futsal o respeito está escasso, a colaboração mais ainda, é um por si e ninguém por ninguém. É um campo de batalha onde atitudes animalescas tomam conta, agressões físicas e verbais são tão comuns que se tornaram normais, ninguém nem questiona mais, e se acessarmos as redes sociais então, muitas vezes é um atentado ao bom português e a ofensa é livre, e tudo que um precisava era provar para o outro a sua superioridade. Me pergunto então, porque você apoiaria o futsal feminino? Mas eu ajudo você a responder.

Apoie sim, temos muitas meninas no caminho certo, com ótimos professores e grandes futuros, mas preze que cada palavra trocada, que cada ensinamento se torne real na hora de dar exemplo. E será nessa hora que você saberá quem apoiar e de que forma. Vida longa as equipes que jogam e aprendem umas com as outras, que os treinadores sejam responsáveis e ensinem que vitória vem depois da educação, que a malevolência seja apenas coisas de jogo, que saibamos pedir desculpas e não ofender, que saibamos promover grandes campeonatos e que o fim seja “parabéns pela sua vitória”.
O futsal da nossa região precisa de educação, fomente o lado bom do esporte e lembrem-se: sua #família é que mora com você, não a que divide o copo de cerveja e te motiva a participar de todo esse ringue.

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