Deixa-me ficar aqui dentro

Deixa-me depositar
 Profundamente
 Minhas profundas esperanças
 Em temperatura ambiente
 
 Deixa-me lavar com erro
 Os tenros campos das cavidades
 Dentre as matas da tua natureza
 E trazer de mim o equívoco
 
 Deixa-me te infectar de vírus 
 A ser expelido e nomeado
 E amado e frustrado
 Com as junções de todos os nossos desencantos
 
 Deixa-me semear teu vaso 
 E ver de lá nascer Otávio, Helena, Alexandre
 Te afogar embaixo e desfazer da minha cabeça
 Os males que contra mim foram cometidos
 
 Deixa, com a tua permissão
 Que eu fique, para termos certeza
 De que o que é nosso viverá
 Apagando as estrelas à noite
 
 Deixa que o que venha daí se destrua,
 Morra, fume, vá à escola e se encante
 Deixa que seja gente o fruto da nossa sandice
 E que sejamos gente boa nós, maravilhados
 
 Deixa, por favor, mais alguns segundos
 Para que eu possa viver
 E sobretudo morrer
 Sabendo que o meu legado é esse preenchimento