Oaxaca

Quando nos prendem atrás das grades meu peito sofre encarcerado

Quando cai um operário das alturas despencam de mim mil lágrimas

E a cada família que soterrada pelo mal caráter que nada Vale, morre

A água podre que as mata deixa meus olhos marejados

A cada censura, um suspiro

A cada cálice, uma angústia,

Um gosto de sangue e ódio intragável

Que fazemos descer garganta abaixo com doses de esperança

O sangue rebelde ferve

E em cada peito vibra a mesma rebeldia

E nossas bocas que gritam

Gritam pelas vozes de cada faminto do mundo

E quando mataram seis em Oaxaca

Chorei de raiva, de medo, de tudo

Seis partes de mim morreram

As que sobraram, lutam.