Perceba que isso vai durar pra sempre

Ao longo dos anos escrevi demais,

Talvez já seja cinquenta poemas

Maneiras de dizer pra várias pessoas

que não lido bem com os meus pesadelos


Eu excedi dezenas de vezes

O limite do bom-senso

Muitas maneiras diferentes de expor meus medos

De mostrar o que penso


Nos últimos dias eu magoei,

Casualmente, mais uma vez,

Mais uma leva de pessoas,

Que julguei pelos meus próprios traumas


Mas hoje eu não peço desculpas

Venho saudar o infortúnio,

Mas não o meu,

O delas


Vim apontar um fato interessante:

É consenso entre os meus amigos,

Brincam por aí nas rodas de bar,

Que eu escrevo bem pra caralho


Veja bem, não estou muito seguro do que digo

É bem possível que eu escreva mal

Mas, puta que pariu,

Eu escrevo com alma


Ambos concordamos que eu sou um desgraçado,

Mas sou um desgraçado com uma baita força de vontade

E uma baita vontade de ofender com força

Em versos, de quatro em quatro


Eu amo e desamo fácil,

E qualquer coisa vira motivo

Pra eu acariciar o meu ego…

Perdão — dizem que eu sou sincero


Eu escondo, sim

Só digo o necessário, mas hoje não

Estou escrevendo, meu bem,

pra apontar pro fato de que escrevo bem pra caralho (dizem)


Ao longo da vida tomara que encontre

Alguém que a ti some,

Que dê beijos mornos na base do teu pescoço

Que ame bastante tua alma e teu corpo


Mas creio que seja provável que não encontre

Outro calhorda que além dessas doçuras todas

Escreva tão bem quanto eu,

que escrevo bem pra caralho (dizem)


Mas deduzi, sem muita matemática

Que na vida que a maioria possui

Encontram-se muitos que amam,

E nem tantos que escrevem bem pra caralho (como eu, é o que dizem)


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Eu sei que você odeia tudo o que eu escrevo

Eu sei que você não entende o que eu quero dizer

Eu sei que eu sou meloso demais pra você


Mas eu estou escrevendo pra você se sentir mal,

E talvez funcione

Porque dizem por aí

Que eu escrevo bem pra caralho