Rumo ao F4 2017: Real Madrid

Marquem em suas agendas, dia 19/05, famigerada próxima sexta-feira, começará o Final Four da Euroliga, que terá sua grande decisão no domingo (21/05). Para deixar você por dentro, preparei uma série de textos especiais sobre os times, confrontos e historinhas que devem ser lembradas para esta grande decisão.

Real Madrid

Campanha na Temporada Regular: 23–7 (1°)

Eficiência Ofensiva: 119.8 Pontos Por 100 Posses de Bola (1°)

Eficiência Defensiva: 109.4 Pontos Por 100 Posses de Bola (8°)

Net Rating: 10.4 (1°)

A Jornada

Se uma equipe se transformou de uma temporada para outra, esta equipe foi o Real Madrid. O ano pós-título foi um desastre, com uma defesa das mais chochas possíveis que era compensada por um ataque volumoso, mas inconstante, que acabou sendo surrado pelo Fenerbahçe defensivo nas quartas de final. Mudanças precisaram e foram feitas para retornar a nova temporada como deveria: como candidato a título.

Em termos de campanha, brigou com o CSKA pela liderança durante quase toda a temporada, conseguindo concretizar o posto de primeiro colocado com um elenco profundo, que superou as lesões que ocorreram e eventualmente tiraram Sergio Llull. Foi uma jornada tranquila e pouco cansativa, com Llull tendo a carga de mais minutos por jogo, módicos 27. Não sofreu derrotas em sequência durante a fase regular e chega com um elenco saudável para a fase decisiva.

Nos Playoffs, enfrentaram o Darussafaka Dogus de David Blatt, uma equipe com limitações óbvias de chute, mas com um treinador que gosta e é bom de ajustes em fases decisivas. No fim das contas passou ganhando a série por 3–1, com nenhum jogo sendo uma surra, mas sem muito sufoco. Pela campanha, profundidade e encaixe do elenco, é o grande favorito a levar esta edição.

Quem comanda o show

Sergio Llull é o nome dele. Dono de quatro consoantes iguais em um nome de cinco letras, igual de trás pra frente, Llull é agressivo e confiante, tal qual poucos talentos na Europa são (Langford, Rochestie, Goudelock e Guduric talvez os únicos que superem neste quesito) e sabe combinar agressividade com poucos desperdícios de bola (2.3 por jogo), número ínfimo para alguém com 29.8% de USG% (a famosa taxa de uso). A mesma eficiência não se repete nos arremessos de três pontos. É um dos mais ousados chutadores após o drible da Europa, mas que converte apenas 33.3% de longa distância, algo que se justifica pela seleção de arremessos. Não existe distância ou ângulo improvável para o armador. Ainda que não seja perfeito, é o grande candidato ao MVP da Euroliga, por além dos atributos já citados, ser extremamente decisivo, saber passar a bola e defender usando sua agilidade.

O elenco é formado por vários veteranos vitoriosos e calejados tanto a nível de clube como de seleção. Os alas Rudy Fernandez, Jonas Maciulis e Andres Nocioni, além do pivô Felipe Reyes, são todos experimentados, experientes e aguerridos, capazes de fazerem funções menores quando o físico já não permite protagonismo como no auge. Rudy nem enterra mais. Maciulis é mais um chutador musculoso, enquanto Chapu e Reyes vão sendo conservados em formol para a fase decisiva. Todos esses caras são talentosos, mas foram ofuscados por uma sensação que brilhou na Europa, o esloveno de 18 anos Luka Doncic. Aproveitando a saída de Sergio Rodriguez para a NBA, ganhou espaço regular na rotação e foi o segundo melhor jogador da equipe, o melhor criador de jogadas do elenco e alguém de versatilidade e técnica única para idade, capaz de arremessar, passar com maestria, pegar rebotes como se fosse jogador de garrafão e tomar as rédeas do time quando Llull estava lesionado. Foi a temporada mais produtiva de alguém da idade em Euroliga e já pintando como provável primeira escolha do Draft de 2018, sendo que é provavelmente mais pronto que qualquer um da classe de 2017.

Além dos já citados, Dontaye Draper faz a função de armador defensivo quando necessário, um carrapato enjoado que só pressionando o drible adversário. Jaycee Carroll segue como melhor arremessador da Europa, ousado e inteligente em cortes sem a bola, que não precisa nem de muito espaço ou tempo para se equilibrar e acertar arremessos, um perigo quando pegando fogo. Jeffery Taylor, que não se firmou na NBA, serve como o ala mais atlético e enérgico do elenco, mas com uso inconstante, por ser mal arremessador e com pouca atenção defensiva, apesar das ferramentas de elite.

No garrafão, Gustavo Ayón é o pivô mais produtivo ofensivamente, ótimo passador após receber na cabeça do garrafão e grande finalizador ao redor do aro, compensando a falta de explosão com mobilidade e finesse com ambas as mãos, além de bom jogo de costas para a cesta. Contudo, é péssimo na defesa de pick and roll e é constantemente explorado. Para isso as presenças de Anthony Randolph e Othello Hunter são válidas. Muito atléticos, são ótimos defendendo e podem trocar marcação. Eterno desperdício de talento, estamos vendo o Randolph mais focado possível, chutando de três pontos só quando necessário e parado, fazendo defesa de cobertura e com papel bem definido. Hunter pegou ótimo entrosamento com Doncic e constantemente recebe ponte-aéreas. No caso de querer apenas espaçamento de quadra, Trey Thompkins é um gatilho, cheio de limitações defensivas, mas ótimo chutador para abrir a quadra e tirar os grandalhões do aro.

O Treinador

Pablo Laso segue no comando do Real, as vezes contestado, outras horas adorado. Como jogador, é o líder histórico de assistências e roubos de bola da Liga ACB, um dito armador clássico. Como treinador, provavelmente quem melhor orquestra sistemas ofensivos na Europa e ótimo desenvolvendo talentos, como vimos com Nikola Mirotic e agora vendo com Luka Doncic. É o técnico que mais apela pro jogo de transição na Europa ao lado de Velimir Perasovic (atualmente no Anadolu Efes, ex-Baskonia), combinando movimentação constante das peças e um time leve, criativo, espaçado e recheado de chutadores ou bons finalizadores em todas as posições. A defesa vem e vai e não é seu forte, mas no geral o ataque é massacrante e compensa. Além do mais gerou o ótimo perfil satírico Pablo Lolaso, que vive provocando Ante Tomic.

Uma Foto do Passado

Mirza Delibasic, provável melhor basquetebolística bósnio da história, que ganhou títulos com o Real nos anos 80.