Diferentes gerações, diferentes características

“Nós somos os filhos de um país ridículo e sem história, sem propósito ou lugar. Não tivemos Grande Guerra, não tivemos Grande Depressão. Nossa grande guerra é a guerra espiritual, nossa grande depressão são nossas vidas. Fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos ricos, estrelas de cinema os astros do rock. Mas não seremos. E estamos aos poucos aprendendo isso. E estamos muito, muito revoltados” assim falou Tyler Durden, interpretado por Brad Pitt, no filme Clube da Luta. O filme do ano de 1999, veio do livro, com o mesmo nome, escrito em 1997.

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Clube da Luta descreveu a “geração de homens criados por mulheres”, que foi formada por pessoas dos anos 1970 e 1980. Esta geração teve como virtude a força de vontade e ambição, que impulsionaram um desenvolvimento notável em grande parte do planeta. O ponto fraco das pessoas desta época foi se apegar demais a bens materiais, dinheiro e status. “As coisas que você possui acabam te possuindo” é uma frase que exemplifica toda a frustração da geração passada.

Os filhos desta geração pertencem a minha geração, a nossa geração. Nascemos em meio a uma transformação enorme do mundo, uma nova era, com tecnologia demasiadamente avançada àquela que existiu. Nossa tecnologia nos permite estarmos conectados mesmo longe, e ver mais o próximo, percebe-lo mais, mesmo que virtualmente, a globalização deixou as pessoas mais próximas, e mais distantes dentro da realidade física. Com toda essa informação acessível e massiva fica difícil guardar as coisas, assim se por um lado estamos próximos virtualmente, estamos cada vez mais conectados estamos também com menos convívio de amizade e família. Vemos menos jovens conversando e mais jovens digitando e teclando. Devido a isso, nossa geração, tem como característica um maior desejo pela independência, visto que a figura maternal da geração de “homens criados por mulheres”, acabou diminuindo.

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Como virtude, temos uma geração um pouco mais antenada com os acontecimentos e com um maior poder de empatia, mas a tecnologia causou seus danos. Em um mundo com ondas eletromagnéticas nos aproximando enquanto nos afasta fisicamente, acaba criando uma necessidade de um querer ser o outro. Vivemos em uma geração tão “empática”, que acabamos nos colocando no lugar do outro, cobiçando o status do mesmo e sentindo vergonha de nós mesmos. Cada vez mais as pessoas tentam ser o que não são, calorosos querendo ser frios, pessoas secas querendo ser calorosas, tudo por um padrão criado por nós mesmos.

Sabendo isso começamos a nos perguntar: “quem serão os filhos de nossa geração?” é sabido que apesar de toda inovação tecnológica ocorrida nos últimos anos, obviamente não prevemos o futuro, mas fica aqui meu palpite. Nossa tecnologia será ainda mais avançada, teremos cada vez mais informação, cada vez mais massiva, o que acabará culminando uma geração demasiadamente dotada de notícias. Teremos uma geração que se preocupará demais com a atualidade e o futuro, que irá essencialmente procurar isso e se questionar, esse será o ponto forte de nossos filhos. O ponto fraco será o total esquecimento do passado.

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A massiva quantidade de notícias e novas tecnologias do futuro, irá causar um processo de desinteresse pelo passado. Se hoje sabemos quem foi Bon Jovi e Michael Jackson, muitas vezes nos interessando por eles, nossos filhos irão olhar com desinteresse. É a morte do saudosismo e o início do futurismo, onde o velho infelizmente se tornará descartável e onde os aprendizados que se pode tirar de um pretérito serão esquecidos. Em contrapartida, verão o futuro com maior interesse.Não sabemos como as pessoas dos anos 2010, 2020, 2030 serão, apenas temos em mente que nenhuma geração supera outra. Tudo irá mudar e se transformar. Nada irá evoluir. A sociedade é cíclica e como descrito no texto, todo ganho de uma geração, implica numa perda. Todo progresso é acompanhado de um regresso. Tudo muda, se transforma mas como já dito, nada necessariamente evolui de fato.