Escolhas: nosso poder pessoal


. Bem, há uma relação muito, MUITO, importante nessa vida: a que você constrói consigo.

. Quão Urso você pode ser, hibernando em si e deparando-se tanto com luz quanto sombra?

. Quão Antílope você pode ser, para lidar de frente com o que encontra nessas viagens interiores?

. Bem, eu achava que bastava reunir essas duas energias dentro de mim (observar e agir), para que construísse um bom relacionamento comigo mesma. Para que fosse forte. Para que houvesse transformação (rápida e eficiente) no meu Ser.

. Contudo, me deparei com uma grande confusão: do lugar em que estava, meus medos doíam muito, e não me sentia capaz sequer de olhá-los nos olhos. Achava que, mesmo assim, deveria ser forte, e encarava-os com a voracidade de um Antílope machucado, mas que ainda sim se obrigava a correr.

. Num insight, percebi que a forma com que eu estava encarando as minhas crenças limitantes e os meus medos não me levaria longe. Não me levaria a crescimento nenhum.

. Sim, carregamos sombra para que joguemos luz sobre ela. Entretanto, arrisco dizer que a maneira como conduzimos esse processo importa muito mais do que os resultados obtidos. Os resultados são consequência do que é plantado, afinal, o processo de cura é um fim em si mesmo. Tem uma importância gigantesca o caminho que escolhemos trilhar nesse processo.

. Descobri habitando em mim um Urso cheio de julgamentos, que culpava-se pela sombra que encontrava, e uma Antílope tão pronta a agir rápido, que perdera-se do seu porquê.

. Em busca da cura, eu trilhava o caminho do medo.


Ilustrando o caminho do medo versus o caminho do amor:

. Caminho do medo:

  • Julgamento;
  • Culpa;
  • Punição;
  • Identificação com a mente e com a limitação;
  • eu SOU menos porque tenho medos e barreiras;
  • Desvalorização do Ser;
  • Enfraquecimento do Ser;
  • Mais e mais culpa;
  • Mente presa no passado e nas projeções futuras dessa limitação;
  • Estagnação em velhos padrões;
  • Contração;
  • Querer jogar a própria sombra fora;
  • ‘Por que eu???’;
  • Autocobrança pela cura, por resultados;
  • Seriedade.

. Caminho do Amor:

  • Acolhimento;
  • Aceitação tanto da luz quanto da sombra;
  • Buscar o propósito da dor;
  • Agadecer a essa dor mesmo sem entender seu porquê (dica de uma pequena Buda muito minha amiga);
  • Tomar responsabilidade pelo que ocorre no seu interior, em vez de culpar-se;
  • Tomar consciência de que você é o que observa toda essa dança – ora calma, ora agitada. Há sempre um espaço de paz e aceitação aí dentro;
  • Usar isso como combustível para a descoberta do próprio pontencial;
  • Presença: ater-se ao Agora, ao sentir, ao que é sempre novo;
  • ‘Como isso servirá para o meu crescimento?’;
  • Entrar num vazio: porta de entrada para novos padrões e experiências;
  • Jogar sementes para a cura, respeitando o ritmo do Todo (inclusive o da própria mente);
  • Confiar;
  • Expandir-se;
  • Divertir-se.

. Penso no caminho do amor como escolhermos tomar consciência da nossa natureza amorosa; tomar consciência e honrar o nosso centro, e o pacote completo do nosso Ser, tanto luz quanto sombra.

. Aceitar esse contraste dentro de si, observando-o em vez de se identificar com os altos e baixos, é um grande ato de amor para consigo mesmo.

. Sabe, todas as vezes em que me sentia muito leve, transbordando amor por mim e pelos outros e confiante no meu propósito, via crescer por trás disso uma preocupação. Sentia medo de estar menos disposta, menos leve. Sentia medo de repetir velhos padrões. Sentia medo de que aquela vibração caísse.

. E ela caía (surpresa!)

. E ela voltava (surpresa!) (infinitas X)

. Percebi que estava condicionando minha visão sobre mim mesma a estados de espírito. Assim, quando estava mais escura por dentro, essa emoção negativa me contava uma história sobre meu Ser, em que escolhia acreditar. “Eu sou isso, eu sou aquilo, eu não sou suficiente, aquilo não é para mim, eu sou péssima por não ter superado todos os medos possíveis”.

. Porém, um dia acordei com vontade de relembrar. De relembrar que não sou as emoções que passam por mim, nem as histórias atreladas a elas, sejam boas ou ruins.

. Que não sou determinada por altos e baixos. Na verdade, os dois fazem parte da minha jornada, e das jornadas de todas as pessoas.

. Que eu sou grande. Que eu sou um centro de paz. Que eu sou o infinito potencial do Universo. Que eu sou escolhas. Que eu sou responsabilidade pelas escolhas.

. Que eu sou livre para Ser, e que nada, nem mesmo o olho do furacão, pode me tornar menos merecedora de habitar o centro.

. Que toda dor tem propósito, mesmo que ele ainda não esteja claro.

. Que dor e alegria, juntas, formam os tijolinhos do meu crescimento, mas não me determinam.

. Aí reside a minha força, a minha magia, o meu poder pessoal. Dou o meu melhor, hoje, para que meu Urso interno acolha por inteiro o que encontra, e para que a Antílope que também me habita esteja sempre disposta a crescer, porém seja sábia e perceba de que lugar agir: a partit do amor, e não do medo.

. Porém, quando percebo que entro no caminho do medo, busco aceitar isso também. Esse é o primeiro passo para mudar de trilhos.


. Uma última e importante reflexão

. Projetamos no mundo lá fora o que sentimos e vivemos por dentro, certo? Experimente, então, ler de novo a descrição do caminho do medo, lá em cima, e percebê-lo no externo, no que alimentamos por meio da ação.

. O caminho do medo não é só uma forma de lidarmos com nós mesmos. Pense na forma como lidamos com as pessoas que erram, que machucam, que cometem ‘crimes’. A forma como lidamos com a nossa sombra, querendo jogá-la fora, reflete-se em como o fazemos frente à sombra dos outros (escondendo-as numa penitenciária, no buraco do “esquecimento”, ou mesmo numa sala de coordenação de disciplina)

. Escolhamos o caminho do amor, dentro do nosso Ser, e ele se refletirá em nossas relações externas.

. Acendamos a luz por dentro, e ela irradiará para além de nós.