. Sobre tomar responsabilidade pelos nossos sentimentos (e só pelos nossos)

. Muitos corações ficam falando sozinhos, sem que ninguém os siga, por conta de diversos medos.

. E que medos? De onde vêm?

. Medo do que o outro, o amigo, a família, a turma vai pensar.

. Pior – e esse se veste de nobre – medo de magoar e decepcionar quem está ao seu redor.

. Como assim eu vou seguir meu coração, se isso vai causar dor emocional em tanta gente?

. Da mesma forma, muitos relacionamentos existem dentro de um jogo de acusações.

. Ele é fechado demais! Ela é ciumenta demais!

. Um enxerga naquele hábito, naquele comportamento do outro, a causa do próprio sofrimento.

. Aí você se pergunta: o que existe em comum entre essas duas situações – pessoas que temem magoar as outras, e relacionamentos envoltos em julgamentos e na ideia de que o outro deveria ser diferente?

. Eu digo que é a falta de consciência a respeito de quem tem responsabilidade sobre o sentimento de quem. Vamos deixar isso mais claro:

. Quando você atribui sua infelicidade, frustração, etc, a um comportamento alheio, automaticamente o seu foco sai do que está ocorrendo dentro de você e voa para o externo, o outro (e surge a ideia de culpá-lo).

. Porém, é preciso entender que a ação do outro é apenas um gatilho para o seu sentimento. O que você tem dentro é somente seu – eis a importância de expressar para o outro o que VOCÊ sente diante de cada situação.

. Pare para pensar: você disse a Pedro que achou de mau-gosto aquela piada que ele contou, ou que se sentiu constrangida ao ouví-la?

. Quando você escolhe esse processo de investigar e expressar o que você sente, em vez de julgar o outro, as necessidades escondidas por trás desses seus sentimentos acabam emergindo.

. A piada que Pedro contou constrangeu Maria, e a razão desse constrangimento é ela precisar ser tratada com respeito. Encontramos, assim, a necessidade escondida.

. Recapitulando: você parte da situação externa, pega o elevador do sentimento e chega no subsolo, na raiz: as necessidades.

. E sabe o que acontece quando Maria toma consciência disso tudo? Ela é capaz de tocar o coração de Pedro, pois agora expressa claramente o que há no coração dela em vez de acusá-lo e, assim, disparar a armadura egoica de ambos.

. Por outro lado, quando você entra num processo de estagnação por medo de falar o que sente e machucar os outros, você também está distorcendo quem tem responsabilidade sobre o sentimento de quem.

. Sei que é difícil abrir seu coração para alguém que você ama quando isso torna o confronto inevitável. Mas você não pode impedir ninguém de sofrer! Essa ideia vem da lógica insana de que você pode, e deve, mudar o outro e «torná-lo melhor».

. Pra deixar estampado no seu subconsciente: você não tem responsabilidade sobre os sentimentos do outro. Você tem responsabilidade sobre quem é, o que sente, o que fala, e o quanto escolhe estar alinhado com o próprio coração, mas não como o outro interpreta tudo isso.

. Pisar em ovos, evitar falar sobre algo polêmico, abafar conflitos antes que nasçam – isso é escolher a aprovação do outro em vez de comprometer-se consigo mesmo. Isso é direcionar o foco para o externo, para o medo, e não para o que está acontecendo dentro de você.

. Se não nos expressamos por medo de gerar violência no externo, a violência fica presa na nossa própria garganta. Porque conflitos não somem, eles só se escondem.

. Então, meu conselho pra você (e pra mim mesma) é que busque comprometer-se com o seu Ser, e expresse o que você tem por dentro – afinal, seus sentimentos são SUA responsabilidade. Então, a reação do outro – seja medo, culpa, raiva ou incompreensão – deixa de ser sua responsabilidade também, e tudo fica mais leve.

. Permita-se sentir e expressar. Abandone o medo de falar e controlar os sentimentos alheios!

Se você fizer isso, seguindo o seu coração, vai causar no outro o exato impacto de que ele precisa.

E, garanto a você, não há nada mais gratificante empoderador do que ser você mesmo por dentro e por fora.

Gratidão ao universo por conversar comigo por diversas vias. Afinal, essas ideias surgem não só da minha experiência, mas também de encontros com pessoas especiais, cujas palavras me guiam (e também da Comunicação Não Violenta, criaçao de Marshall Rosenberg – pesquisem, é incrível! 😊)

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