Big Data e seus 4 irmãos

Um ser lendário e seus mitos


Muito se fala sobre Big data nas reuniões e na mídia, mas, como uma lenda, poucos o conhecem bem. Como um ser lendário que se respeite, há muitos mitos acerca dele.

Antes de seguir em frente, vale a conceituação:

Big Data é um termo amplo para conjuntos de dados muito grandes ou complexos que aplicativos de processamento de dados tradicionais são insuficientes. Os desafios incluem análise, captura, curadoria de dados, pesquisa, compartilhamento, armazenamento, transferência, visualização e informações sobre privacidade. O termo simplesmente muitas vezes se refere ao uso de análise preditiva e de alguns outros métodos avançados para extrair valor de dados, e raramente a um determinado tamanho do conjunto de dados. Grande precisão nos dados podem levar à tomada de decisões com mais confiança. E melhores decisões podem significar uma maior eficiência operacional, redução de risco e redução de custos. [Wikipedia]

Isso é conceito. E todos sabemos que “o Excel aceita tudo”, certo? A realidade costuma ser muito diferente da teoria. A prática escancara alguns mitos que pude classificar nas últimas experiências. Esses mitos se apresentam de diversas formas, inúmeras facetas. É por isso que, para promover a consciência sobre esses mitos, personifiquei nesse texto os quatro principais mitos como sendo irmãos da Big Data (que divergindo ou não, são todos da mesma família).

Seus quatro irmãos, na maioria das vezes, chegam antes ao conhecimento geral do que o próprio. Eles se apresentam da seguinte forma:

  1. Big Data, o Super herói.
  2. Big Data, o Vilão.
  3. Big Data, o Vidente.
  4. Big Data, o Economista.

Big Data, o Super herói


Por vezes, Big Data é descrito como o super herói, como se resolvesse todos os males da humanidade, como se conseguisse curar o câncer, resolver a fome no mundo e acabar com os ataques terroristas.

Como?

Se diz que, pelo fato de processar uma quantidade enorme de informações em tempo real, permite antecipar estatisticamente se vamos ter um câncer ou se alguém num lugar remoto da terra está pensando em fazer um ataque terrorista. Isso somente analisando os dados físicos dos pacientes, através de sensores ligados ao corpo ou no segundo caso somente analisando as pesquisas na internet. Será?


Big Data, o Vilão


Outro mito que antecipa a vinda do Big Data são os males que ele pode trazer. Não teremos mais privacidade, todos estes sensores no nosso corpo ou externos nos espiarão em qualquer momento do dia Onde nos resta viver para escapar deste grande big brother? Acredito que somente em outro planeta ou na caverna do Bin Laden.

Além da falta de privacidade, o aspecto que mais me inquieta é o fato de que se tudo estará online o tempo inteiro, não estaremos em risco de ataques virtuais constante?


Big Data, o Vidente


Já se fala que Google sabe mais de nós do que nós mesmo. Com a facilidade de analisar uma grande quantidade de dados em tempo real ou num breve período de tempo, a possibilidade de saber o que acontecerá em nossas vidas baseado em dados e informações históricas do que aconteceu a milhões de outras pessoas que possuem relações aproximadas de características e histórico de saúde similar.

Falando nisso me vem a cabeça o programa “Fantástico” que, certo dia, instalou uma cabana de vidente numa praça pública. Um falso vidente, através de poucas perguntas, mas ajudado por uma equipe no backstage que pesquisava na internet informações dos consultados, conseguia enganar as pessoas usufruindo de informações que essas pessoas julgavam particulares, mas que na realidade estavam todas disponíveis na internet.

Imagina o que poderá acontecer no futuro…

Projeções automatizadas e identificação de tendências sobre doenças, relações amorosas, evolução financeira, aquisições, comportamento e tudo o mais. Nada mais será impossível de prever.


Big Data, o Economista


Penso no uso do Waze, que muitas pessoas já incorporaram na própria rotina diária. Já pensou no quanto o fato de não estar engarrafado no tráfego diminui nosso custo com combustível?

Agora multipliquemos isso por cada usuário, qual é a eficiência e economia que é possível atingir a nível mundial? Agora ampliemos este conceito a outros mil aspectos de nossas vidas: Quanto é possível ganhar com essa economia? De quanto será a economia de tempo e dinheiro?

Voltando ao Waze, se a cada dia ganhamos 20 minutos no trânsito por seguir as rotas sugeridas pelo aplicativo, quanto tempo a mais podemos usar para outras atividades mais produtivas e, com isso, criar mais valor para a sociedade?

É algo bem interessante a ser pensado.


Perspectivas

Um outro aspecto do Big Data é o Deep Learning, a capacidade das máquinas de analisar grandes quantidades de dados e sofisticar a própria capacidade de análise, como as crianças fazem ao decorrer de sua própria evolução.

Um exemplo é a capacidade das maquinas de interpretar imagens, textos, sons… Isso tem grande potencial para criar um enorme Big Brother!

Se o Big Brother realmente vier a existir, será que existirá um Pedro Bial que organizará tudo o que poderá ou não ser feito? Ou será uma grande anarquia? Torço mais pela segunda hipótese.

As máquinas estarão se ajudando umas as outras (em grandes redes neuronais artificiais) e o aprendizado de uma ajudará a outra, possibilitando assim máquinas ainda mais sofisticadas.

Qual será o efeito?

A capacidade de análise das máquinas será tão grande que a curva de produtividade e análise será exponencial.

E o homem? Como será sua vida? Vamos deixar isso para um próximo post, acho que vale a pena nos aprofundar mais.

Quero analisar um outro aspecto mais ligado ao nosso dia a dia e ao que e Big Data é hoje: a análise de grandes quantidades de dados para a tomada de decisão estratégica em negócios.

Vou fazer uma exemplificação com o que me acontece todos os dias. Não perca a paciência, vai entender mais na frente o que quero dizer com isso.

Trabalho em uma startup de tecnologia e preciso tomar decisões rapidamente, mas eu funciono diferente, tenho uma visão muito mais analítica e gosto de pensar mais. Com o tempo fui entendendo que por diversas vezes pensar muito é ruim, e como uma criança em loja de bombons, com tantas possibilidades acabo não sabendo escolher a melhor bala.

Minha lógica de análise e tomada de decisão

Tenho uma dúvida e começo pensar nas diversas macro possibilidades. Depois coloco mais variáveis na minha mente, que começa multiplicar o leque de possibilidades que tenho.

Alguns anos atrás me deixava levar por isso. Achava que quanto mais variáveis agregasse maior a possibilidade de tomar uma decisão assertiva, mesmo que isso ocorresse em detrimento do tempo. Na realidade, o que acontecia era uma total paralisação e procrastinação na tomada de decisão.

Hoje não me libertei totalmente dessa lógica, mas já procuro fazer diferente. Agora compreendo que muitas variáveis não são controláveis. Acredito mais que uma decisão mais rápida seja a melhor escolha e sempre considero que no longo do caminho temos a possibilidade de ajustar o trajeto. Para mim funciona mais. Ganhei mais tempo e mais saúde mental.

Qual e é relação disso com Big Data? Será que muitos dados, muitas correlações estatísticas, ao invés de serem de grande auxílio, acarretarão em atrasos na tomada de decisão estratégica?

A priore, acredito que não. Tudo bem, que enquanto os algoritmos ainda não são tão sofisticados isso pode acontecer, mas conforme o uso da Big Data vai evoluindo mais simples será a análise dessa massa de dados e, portanto, mais assertivas e ágeis serão as decisões de negócios.

Não há dúvida que as empresas que entrarem primeiro nessa nova era se beneficiarão mais economicamente.