lua em peixes, sol em rio

essa lua em peixes ainda vai explodir o meu coração.
 
a palavra journey e o encontro de peixes naquela semana que a lua era dearest harvest moon no ápice do signo que desaguava no mar ou desaguava no rio. era rio, hoje era rio, depois de ontem só podia ser rio. é bonita a beleza dos rios que se camuflam feito mar. não dá pra saber se é de sal se é de doce sem o encontro entre língua e água. não dá pra saber se é mar ou se é rio esses grandes rios feito tapajós feito o são francisco. não dá pra culpar oxum. não dá pra impedir uma grande paixão e interromper o fluxo de um conto escrito. era feitiço cantado de domingo(s).

domingo era o melhor dia pra gente se banhar às margens do rio são francisco.

eu que nunca fui, eu que nunca fui e me sentia parte. sonhei com pitangas. sonhei com camilas. me vi no filtro. vivi dias no futuro. uma noite no céu onde fui atriz no centro do palco. eu que sempre tive medo de palco, tive medo de gente. não dá pra culpar a magia, não dá pra culpar que a história, era pra ser essa mesma. esse misterioso chico, esse rio, esse encantamento do homem que virou pedaço de água, braço de mar, perna de rio.

ser de água, ser de peixes. a gente que nasce desaguando, explodindo a bolsa, mergulhando na vida. não dá pra saber se do lado de lá, do outro lado da travessia, também é desague em vida.

não dava pra dizer que era afogamento. era calmo, era plácido. olhar vítreo, rumo ao vazio. não houve desespero. era oco, sem foco, sufoco. a boca aberta.

era doce morrer no rio.

não dava pra impedir um homem de nadar.
não dava pra juntar os casais. 
não dava pra culpar a inutilidade da tv de tubo 
e muito menos a desvalorização dos fios de ovos. 
não dava mais pra vender rifa e nem gritar bingo!

não dava pra pedir que oxum devolvesse 
as coisas que não voltam mais: 
bomba de chocolate,
amor perdido, 
baba de moça 
e domingos na terra.


*escrito em homenagem ao ator domingos montagner que se encantou no canindé de são francisco em setembro de 2016.

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