A gente precisa mesmo escolher entre trabalho e maternidade ou precisa compartilhar os cuidados?
Giulliana Bianconi
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Me identifiquei muito com seu texto. Minha filha tem 11 meses e passei um puerpério FODA pois sofri muito com a perda da minha autonomia, liberdade e identidade. Tenho achado MUITO, mas MUITO difícil ser mãe e profissional, mesmo com um marido participativo como o meu. O mundo não quer saber se você não apareceu em uma reunião porque sua filha ficou doente e você não tem ninguém na cidade para cuidar dela. Vivo cansada, faz 11 meses que não durmo. Como consequencia, minha produtividade está em torno de 30%. E me exigem 100%. Fora a sensação de que perdi o controle sobre a minha própria vida. Meu tempo não sou eu mais quem determina. Sou a última prioridade na minha própria vida. E a adaptação na creche? Que sofrimento! Desde janeiro minha filha está na creche. Desde janeiro minha filha está doente. Uma semana bem, duas doente. A médica diz que isso é normal para uma criança “institucionalizada”, que em seis meses ela cria imunidade. Mas isso significa seis meses com inúmeras faltas ao trabalho. Estou sem jeito já de enviar novamente um email para a minha chefe: “desculpe, não vou hoje (e provavelmente nesta semana inteira) pois minha filha está doente (novamente) e não tenho com quem deixar”. É, realmente ser mãe não é nada fácil neste mundo machista (onde espera-se que a mulher assuma as necessidades da criança e o pai “ajuda”) e capitalista, onde time is money e a produtividade e eficiência são prioridade. Mas vamos levando, pois o que não mata fortalece. Depois deste desafio, somos capazes de qualquer coisa!