O Teatro dos figurantes

Eu olho pra cima e vejo pontos. Pontos onde eu não posso me ligar. Então eu olha pra frente, e ai vejo flores nas quais o perfume me cheira capim. Percebo que na musica que os entedia me move a alma. Vejo que o problema é comigo, daí eu olho para todos os lados e percebo que tô alone aqui.

É como estar em uma narrativa onde eu não tenho falas. Talvez eu seja o esquisito do alivio cômico que ninguém entende o que diz, no qual sorriem olham para a plateia e dão de ombros.

Todos aqui tendem a se olhar e se verem refletidos criando uma empatia instantânea, exceto por mim. Eu sou aquele fulano que olham e pensam “pelos menos eu sou normal né”. Ás vezes nem sabem o que quanto me influenciam a deixar de ser eu, ás vezes nem sabem o poder que eu lhes dou.

Talvez eu esteja olhando na pagina errada, procurando no paragrafo rabiscado ou interpretando o roteiro de outra pessoa. Quando eu vou fazer sentido nessa história? Eu sou o plot twist? Eu sou o clichê que faz figuração e é tão superficial e vazia como um KKW? Eu sou o tipo de amiga gorda ou a mulher atrás de algum homem?

Acho que eu sou o tipo de pessoa café com leite que não acha sentido pra vida e se vê de repente com 30 anos discutindo como os outros devem viver suas próprias vidas e pensando que não tá tarde demais pra mim… “Eu só não fiz faculdade porque aqui na minha cidade não tinha o curso…”

Talvez assistir não seja tão ruim, deve existir uma certa glória em ser a multidão da vitória dos outros, fazer parte do coro do “rip rip urra” ser aquele que entrega a coroa ao vencedor sem nunca te-la usado uma única vez, ser udado como contraste em relação ao mocinho.

Se eu nem sequer faço parte dessa sinopse eu poderia pelo menos me retirar e ir pro céu dos cachorros já que esse sim eu acredito que existe.

Russ — My Baby

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