
The Suicidio
De acordo com um artigo publicado pela BBC online em setembro de 2016 ocorre um suicídio a cada 40 segundos no mundo.
Nascer é um trauma.
Afirma Freud: "Não podemos certamente pressupor que o feto possui qualquer espécie de conhecimento de que está correndo o perigo de aniquilamento"
Viver é aprender, aprender é errar, logo errar é sofrer, o sofrimento causa trauma, sendo assim viver é sofrer traumas.
Nós somos feitos de experiências boas e ruins, nós somos ruínas das coisas que nos aconteceram, nos escoramos nas coisas que merecem ser poupadas mas as vezes desmoronamos.
O termo “suicídio” vem sendo muito falado nas mídias sociais ultimamente, tudo veio a toda com o seriado original da Netflix 13 Reasons Why, lançamento quase que simultaneamente com a descoberta dos noticiários (globo e adultos com mais de 30 anos) sobre o jogo virtual “baleia azul”. Mais tarde foi lançado o filme The Discovery também original da Netflix tratando do mesmo tema. As vertentes se tornaram assunto muito mal interpretado em novelas e nas opiniões de pais.

O mais chocante de toda essa loucura é que o suicídio não aumentou por causa de séries de tvs polêmicas, o suicídio é um tabu, a depressão é um tabu, a morte vira piada, a piada vem da insensibilidade e apatia, apatia dos que te cercam que se torna uma das principais causas do suicídio, o abandono.
Eu lembro que quando eu tinha lá meus 12 anos, só tinha acesso as músicas que meu irmão escutava, até as cifras das revistinhas eram de rocks nos quais ele curtia. Quando eu comecei a aprender a tocar uma música do Nirvana eu disse que era a coisa mais legal que eu já tinha ouvido, me lembro do meu irmão me contando do suicídio do Kurt Cobain, todo convencido de que a Courtney Love havia matado ele por dinheiro. Era difícil acreditar né? Que o seu ídolo se recusou a viver nesse mesmo mundo que a você vive hoje…

Quando eu perdi meu primeiro cachorro eu tive que ir trabalhar o final do dia. Eu me lembro que a única coisa que me fazia ficar em pé era escutar Linkin Park, as músicas não me deixavam parar, elas diziam o que eu sentia na batida rápida que impulsionava minha respiração e me fazia continuar.
Quando eu perdi a primeira pessoa na minha vida eu escutei Linkin Park, durante todo o caminho para o velório, era a única coisa que eu tinha, ouvir, ouvir algo que expressasse minha raiva e minha dor.
Chester foi meu primeiro crush, a primeira voz junto com a do Mike em um fone na qual eu me identifiquei o primeiro grito que me fazia sentir compreendida, foi meu ídolo.

É meu ídolo naquele post, o mesmo que estava no meu poster no meu quarto alguns anos atrás, o mesmo na camisa de banda do meu irmão, o mesmo na revista de cifras, o mesmo no dvds de clipes assistidos repetidamente até arranharem e não poderem mais ser tocados.
Eu sempre pensei que os grandes astros morriam cedo… Mas não há nada de glamouroso na morte precoce ou no suicídio, não há nada de glamuroso em um saco preto, não há nada de glamuroso em sentir a dor de perder uma pessoa que te ajudou sem você nunca estar ao alcance de ajudá-la.

Pensar em suicídio é totalmente degradante. É como um tumor, cada vez maior, cada vez mais parte de ti, cada vez menos você e cada vez mais ele.
Como reagir a algo assim? Como reagir e regir entre reações rispidas a razão pra também continuar?
O jeito é continuar falando até pararmos de perder as pessoas e nos perder.
Escreva o que eu digo: o futuro da humanidade não é a dominação por máquinas e sim a dominação da depressão nos humanos.
LINKIN PARK — FAINT
R.I.P Chester Benningnton
