Da ponte pra cá

Eu andava meio perdido e sozinho por aí, mas sempre me guiava bem mesmo que de uma forma completamente esquisita.

Então eu recebi uma ajuda, e de repente todo o caminho pareceu mais fácil, mesmo que de vez em quando tivesse suas dificuldades.

E sempre mais e mais fácil de seguir o caminho, porque eu tinha a melhor ajuda do mundo. Como se a ajuda recebida, viesse de alguém que poderia muito bem ser uma parte minha, que teria chegado e encontrado a outra parte perdida.

Então o caminho se tornou não um caminho para se seguir como obrigação, era uma prazer seguir tal caminho, sempre de mãos dadas.

Mas de repente as mãos começaram a se soltar aos poucos, e mesmo que reatassem pareciam sempre distantes.

Cada vez mais difícil para segurar uma a outra se soltaram.

E não foi como seguir o resto do caminho sozinho. Foi como se tivessem me espancado e me soltado em uma rua escura, fria e amarga.

Então eu fui de um caminho colorido e bonito para o caminho mais assustador e solitário do mundo.

Com o tempo o caminho vai adquirindo algumas luzes, ficando menos sombrio e aceitável (até porque nunca tive medo do escuro).

Até que eu vi de longe a tal mão que me acompanhava, e nos aproximamos. E mesmo que de uma maneira estranha, eu comecei a ver a estrada colorida como antes, não as mesmas cores, mas um colorido tão bonito quanto o anterior.

O caminho voltou a ser lindo, eu adquiri felicidade novamente em seguir tal caminho, eu não o fazia mais como obrigação.

Até que eu perdi a mão que me acompanhava novamente.

E dessa vez eu não me vi sozinho caminhando sem em nada para me apoiar. Eu me vi caído no meio do caminho, cansado demais para me levantar e continuar, dolorido demais para me por novamente em duas pernas, triste demais para esperar pela felicidade que me esperaria no final do caminho.

Talvez eu nunca mais tenha uma mão para me ajudar a continuar o caminho, talvez eu nunca encontre o caminho de novo, talvez outra mão me ajude, talvez o caminho tenha se apagado pra sempre.

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