Conforme seu lugar

João foi convidado para uma festa de casamento. Ele não era do tipo que estaria da relação dos convidados, mas, por ser aquele primo do enésimo grau do noivo, por acaso de férias na cidade à época da celebração, acharam por bem convidá-lo.

Ao chegar no buffet, foi como que impelido naturalmente à uma mesa distante do salão, da pista de dança e de frente ao banheiro; aquelas mesas que ficam em cantos mal iluminados e encostados ao muro do recinto, aonde, quando algum convidado se digna a ir, é para peidar ou falar ao telefone com o(a) amante, ou, de repente com o(a) oficial, e quando recebe a visita do garçom é para trazer os salgados menos populares e já frios, bebidas quentes e recolher os copos.

Só ao fim da festa e já alto pela embriaguez, é que João ousa tamborilar a mesa com os dedos e os pulsos, para em seguida ensaiar uns passinhos de dança, porém sem se distanciar mais de um palmo da mesa. Assim, resta-lhe, apenas, entregar-se à beleza da festa e contemplar as pompas dos convivas, haja vista qualquer tentativa de se enturmar ou parecer “gente próxima”, só resultaria num tremendo ridículo e lhe pareceria patético.

Mas…. de que importa a posição ocupada quando se é um dos convidados? João, porque humilde, sente-se feliz, pois nisso consiste a verdadeira felicidade, advinda da humildade: estar em conformidade com aquilo que se é, e ao lugar em que ocupa na festa.