Vendemos informação ou conhecimento?

Photo by Csaba Meszaros

Acredito que nenhuma profissão teve que se reinventar tanto nos últimos anos quanto a de comunicadores. Jornalistas, publicitários e relações públicas têm sido dispensados de seus empregos apesar de vivermos em um mercado que consome informação freneticamente, vide o volume de dados trafegados diariamente pela internet. O que também é fácil de se notar é que a informação publicada pelos veículos de comunicação parece estar cada vez mais vazia.

A lógica é bastante simples e clara. Ao dispensar seus melhores e mais experientes quadros, jornais e revistas abrem mão de produzir conhecimento para produzir apenas informação. A clássica matéria “Caetano estaciona o carro no Leblon” é a mais pura prova disso. Não há como negar que exista informação no texto, mas qual a relevância? O que alguém pode extrair dessa informação para ajudá-lo a construir conhecimento?

Se eu, ou qualquer outra pessoa, estivesse ali naquele dia e visse Caetano Veloso estacionando o carro para comprar pão, ou leite, ou cigarro, ou qualquer outra coisa, poderia tirar uma foto e postar exatamente a mesma “notícia” na minha página de Facebook.

Percebe-se então que grandes veículos de comunicação decidiram competir com seus próprios leitores na geração de informação vazia. Abriram mão de produzir conteúdo bom e relevante, aquele que somente grandes jornalistas poderiam produzir, para serem rasos e competir com quem não os enxerga como concorrente.

Me lembra uma daquelas frases que se lê por aí afora, que diz para você nunca discutir com um idiota porque isso faz você descer ao nível dele e, lá embaixo, ele é muito melhor que você.

Pois é isso que estamos assistindo, jornais publicando fotos de banda para falar de tragédias em boates, erros de Língua Portuguesa nas manchetes, e uma absoluta falta de profundidade que é engolida por títulos como “Fulana vai de bíquini à praia e exibe boa forma”, “Siclana BBB se descuida e mostra mais do que deveria” e por aí vai.

Sobre como estamos nos reinventando? Acho que em um momento em que os espaços nos veículos de comunicação estão cada vez mais raros, os bons profissionais estão ajudando empresas e marcas a encontrarem seu caminho no relacionamento com seus públicos, ainda pelo método tradicional de relacionamento com a mídia, mas principalmente na identificação de novos canais e novas linguagens para construir e preservar a imagem de seus clientes. Tarefa dura de desbravadores, mas que certamente irá ajudar na transição para o novo mundo da comunicação.

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