Ansiedade

“Biology gives you a brain. Life turns it into a mind.” Jeffrey Eugenides

Não tem nada mais revigorante no mundo do que dormir. Mesmo assim, antes de pegar no sono, minha mente se enche de ansiedade e tira todos os prazeres de uma boa noite de descanso. Pelo simples fato de não poder prever o momento em que eu pego no sono, meu coração começa a bater mais rápido, minha boca fica totalmente seca, sem gosto, e meu corpo reage instintivamente se mexendo sem parar ao redor da cama. Minha resposta sempre foi tentar ir para a cama quando eu estivesse exausto, de modo que pegaria no sono rápido, mas há noites que meu coração bate tão rápido que o próprio barulho ritmado dos batimentos me atrapalha a descansar. É o maior desafio que enfrento no meu dia-a-dia e que até hoje não encontrei coragem para tentar lutar contra.

Há muito tempo atrás quando eu era criança, eu pensava em diferentes modos de enxergar o mundo de maneira que eu estivesse analisando tudo como um adulto analisaria. Hoje é engraçado como eu tento agarrar todas as oportunidades que tenho de enxergar o mundo como eu o observava aos 10 anos de idade. Assim como minha ansiedade de dormir, tudo que me é apresentado tem o mesmo despertar de medo e insegurança, algo que antigamente eu colocava em meus medos de ladrão e do escuro. Com o passar dos tempos, esses medos ganharam diferentes formas, mas meu modo de reagir continuou o mesmo, o mesmo pensamento com sujeitos diferentes emerge no meu subconsciente e se prepara para me dar uma injeção de adrenalina e medo, cujo eu não faço ideia como responder a não ser repetir diversas vezes dentro da minha mente “Vai ficar tudo bem”, até que um pensamento aleatório que não seja relacionado com nada tome o foco da minha cabeça e, nisso, consigo ficar cinco míseros minutos pensando na vez em que eu acenei para uma pessoa cega e como aquilo me fez um cuzão. Passados os benditos trezentos segundos, minha mente repete todo o processo e assim se vai, horas e horas de “pensar demais” sem ao menos chegar em conclusão nenhuma.

É sempre complicado ter que aceitar que isso talvez seja desbalanceamento químico do meu cérebro, ou algum tipo de trauma, pois o tratamento sempre acaba chegando em remédios. Mesmo acreditando que essa possa ser a única saída e que esses medicamentos funcionam, me medicar sempre parece algo surreal quando o motivo é um pequeno e inocente pensamento. Que surge e some como bolhas de sabão. Acho que talvez esse seja o meu orgulho dizendo que eu consigo melhorar sozinho, mas eu sei bem que não. Talvez seja minha vontade interna de não melhorar e continuar sendo quem eu sou, porque quem eu sou me trouxe até aqui. Ou talvez seja apenas eu esperando e não correndo atrás, por pura preguiça. Para ser totalmente honesto, eu não sei quais desses se encaixa melhor, eu tento as vezes escolher um deles como culpado para poder me abrir para os outros, mas eu sei bem que é um pouco dos três, se não tudo misturado ao mesmo tempo.

Seja o que for, ser um escravo da própria mente é o ponto baixo da minha rotina, quando comecei a ler mais sobre, comecei a notar mais e mais como um pensamento me faz enxergar tudo diferente. Basta uma pequena paranoia pra transformar um dia ensolarado em um dia propenso a tempestade.

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