Presente

Eu me lembro quando me apaixonei por você. Daquele dia chuvoso, você me contando seus planos pro futuro e eu maravilhado com sua forma de pensar. No mesmo dia, lembro de quando encostou sua cabeça em meu ombro e sussurrou:

– Vamos nos casar, que tal?

Acho que até hoje não lembro do que se passou na minha cabeça na hora, tudo no meu cérebro se acelerou e eu só soube dar risada da situação.

Eu estava feliz.

Você me aceitava.

Eu me aceitei.

Você me olhava e eu compreendia o quão forte nossas emoções nos influenciam. Nosso amor era a única demonstração de afeto que abusávamos.

Mas nosso amor não era único.

Havia outro amor.

O amor entre ele e ela

Ou melhor dizendo.

Você e ele.

Ele havia chegado primeiro, eu era o penetra. Tentei me convencer que não havia nada de errado, mas não conseguia me imaginar nada além de errando. E feio.

Eu decidi fazer a coisa certa então, fiz a escolha por você. Me afastei. Fui embora.

Tentei me recuperar nesses anos que seguiram, sempre esperando o tempo me curar. Tentei amar outra vez

Mas eu não consigo.

Esses últimos anos vêm sendo os mais difíceis da minha vida e eu não consigo me encontrar em um dia que não penso em você.

Até no dia em que tentei me matar.

Por que eu tenho que estar preso a uma ideia de alguém que amei?

“Eu só quero voltar pros dias em que sua cabeça pesava em meu ombro e ficar preso lá.” É o pensamento que me asila.

Eu sabia lidar melhor antigamente.

As coisas eram mais fáceis quando você estava lá.

Eu me odeio.

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